segunda-feira, 10 de junho de 2013

Paulo André: vira-lata e gigante por Soraya Belusi e Luciana Romagnolli Paulo André entrou no Grupo Galpão para a montagem de "A Rua da Amargura", chamado justamente pelo diretor Gabriel Villela. Duas décadas depois, quando Villela enfim volta a estrear um espetáculo inédito com a trupe mineira, o ator se sente desafiado a "justificar" sua entrada no grupo. E é o que faz como Batalha, roubando a cena com intervenções irreverentes e travestido de mulher durante toda a encenação de "Os Gigantes da Montanha", texto de Luigi Pirandello. HORIZONTE DA CENA: Chama a atenção em “Os Gigantes da Montanha” seu personagem, que passa o tempo todo travestido. Isso já estava no texto do Pirandello? PAULO ANDRÉ - É do texto. Na estrutura das companhias italianas tem a primeira atriz, o primeiro ator, o segundo ator, o terceiro ator... e o genérico, que podia fazer papel tanto de homem quanto de mulher. Meu personagem é o genérico. Chama-se Batalha. E as possibilidades dos gêneros sempre foi muito querida pelo teatro e pela arte em geral, tem um lugar de divinização das pessoas que circulam entre as áreas. Mas a opção de ser o tempo inteiro travesti é do Gabriel (Villela). O texto não sugere nada. E em outras montagens às quais a gente assistiu, o Batalha aparece como um senhor. HDC: Já te disseram, e não sei se faz algum sentido isso, que você está parecido com o Rodolfo (Vaz), inclusive fisicamente? Que a sua máscara facial remete a ele de alguma maneira? E até mesmo na forma como “rouba a cena” num pequeno instante, numa cena que podia ser banal, o que ele fez muito bem em outros espetáculos? PAULO ANDRÉ: O Rodolfo é um clown. E o Gabriel me pediu isso de certa maneira, não para ficar parecido, mas para evocar esse espírito irreverente. É circo, tudo pra fora, não tem nenhuma psicologia, o texto nos permitia esse lugar. A gente ensaiou o tempo inteiro de nariz, só tirou nos ensaios abertos no Plug Minas. E é legal isso, as pessoas ligarem meu trabalho ao do Rodolfo, primeiro porque eu o adoro, e depois porque o Rodolfo fez um clown inesquecível, o Judas do “A Rua da Amargura”, além do próprio Mercúcio, do “Romeu e Julieta”. HDC: Vocês fizeram um trabalho associado de máscara facial e nariz de palhaço? PAULO ANDRÉ: O caso do nariz é que a máscara facial já pede por ele; ela te puxa para essa expressão. Quando se põe uma máscara, não se pode agir mais normalmente; a máscara te pede uma atitude que sem ela talvez você não tivesse. Usamos o nariz para trazer essa expressão e, ao tirá-lo, a máscara veio através do nariz, e vice-versa. E a gente termina o espetáculo com o nariz. HDC: Além de o nariz ser uma autorreferência do próprio Gabriel (Villela) aos dois espetáculos anteriores que ele fez com o Galpão, o “Romeu e Julieta” e a “Rua da Amargura”, não é? Sem contar que foi a convite dele que você chegou ao Galpão, não foi mesmo? PAULO ANDRÉ: Um dia desses, eu até brinquei com ele falando: “agora a gente tem obrigação de justificar a minha entrada no Galpão” (risos). Fui chamado para ser assistente do Gabriel na “Rua da Amargura”, mas acabou que ele me deu um papel no espetáculo e não fiz a assistência mais. HDC: Qual era sua trajetória até então? PAULO ANDRÉ: Estava com 31 anos, era ator-freelancer. Bom, fiz o Oficina de Teatro, em 1983, com o Pedro Paulo Cava, que ficava ao lado do Dops. Fui aluno de Carmem Paternostro, Joaquim Costa, Luiz Paixão. Eu fazia parte de uma turma maldita, de terça e quinta à tarde – turma de dona, sabe? (risos) – que era a turma de Marcelo Castilho Avellar, Andrea Garavello. Na verdade, eram duas turmas malditas. Uma de terça e quinta, que eram alunos do Luppi, e a outra de alunos do Fernando Limoeiro, de segunda e quarta. Então, resolveram juntar essas duas turmas. E aí, naquele ano, fundamos o Experimentando o Palco, que começou em 1984. HDC: E qual era a sua ligação com o Gabriel? PAULO ANDRÉ: Então, nenhuma. Ainda sobre minha trajetória, em 1984 produzimos uma peça, tive que trabalhar, fiquei alguns anos sem fazer teatro. Aí depois voltei ao teatro e fui substituir um ator no “Antígona”, do Carlão (Carlos Rocha), na Cia. Sonho e Drama. E então fiz “Frank V” com Pedro Paulo Cava, “Casal Aberto”, com Andrea Garavello, e “Dois Idiotas Sentados Cada qual em seu Barril”, também com a Andrea e direção do Kalluh (Araújo). Foi um sucesso de critica, fizemos temporada em São Paulo e ganhei o APCA com essa peça. O público foi um fracasso em compensação (risos). Depois fiz “Cais do Porto”, direção do Ricardo Batista, e sei que nessa época fui parar na Sonho e Drama de novo. Até que veio o convite para o Galpão. HDC: E como você se relaciona com esses dois possíveis sucessos: o de público e o de crítica? PAULO ANDRÉ: Ah, o de crítica é mais fácil, eu acho. O sucesso de público é mais difícil. Antes de eu entrar para o Galpão, só “Casal Aberto” fez sucesso. Era outra época, na qual se o artista fizesse sucesso de público, vivia de bilheteria. Paulo André e Arildo. Foto de Bianca Aun. HDC: O Galpão viveu essa época? Já viveu de bilheteria? PAULO ANDRÉ: O Galpão era um caso à parte porque sempre se dedicou mais aos projetos de rua, principalmente nessa fase inicial do grupo, nas suas primeiras décadas. Era inclusive uma postura política, de ocupação, em um momento de abertura no Brasil. HDC: Quando o Gabriel desistiu de ter você como assistente e resolveu te dar um papel? PAULO ANDRÉ: Era o que eu mais queria na vida! Não queria fazer assistência de Gabriel, mas foi a forma que cheguei até lá. No fundo, queria mais era fazer alguma coisa no espetáculo, e acabei fazendo várias coisas: José de Arimateia, um anjo e outros. HDC: Aliás, por certo ângulo, você é um coringa no grupo, não é? Sempre que falta alguém, você vai lá e assume com competência o lugar. Exemplo: o Chico não vai mais fazer o “Romeu”, lá vai você! Ou a Inês não pode fazer o “Till”, e você assume. PAULO ANDRÉ: Faço parte de uma companhia e tenho que estar aberto para as demandas dela. Se precisar de alguém para fazer, vou lá fazer. HDC: O bom é que isso nunca te estigmatizou num único papel. PAULO ANDRÉ: Isso não estigmatiza ou estigmatiza por si só. Isso é parte do meu DNA de ator. Apesar de ter começado em grupo, fui freelancer durante um bom tempo. Outro dia, o Marcos Coletta, ator e pesquisador que vai fazer o mestrado dele sobre formação no teatro de grupo, me chamou para a banca de apresentação do projeto dele, e achei bem apropriado ele ter me escolhido porque sou tão sem raça, tão vira-lata (risos). Fiz oficina de teatro, e não escola, e fui para a vida, e acabou que minha formação mesmo foi no Galpão, embora tivesse mais de 11 anos de carreira quando me juntei ao grupo. Eu me sinto formado lá, e o Galpão também tem essa cara sem raça, um grupo no qual os atores têm que ser coringas mesmo. E é bom para o ator não ter cara, se eu tivesse, jamais faria o filme do Cao Guimarães e do Marcelo Gomes (“O Homem das Multidões”, ainda em fase de pós-produção). HDC: E essa história de “justificar a entrada no Galpão”? Em que sentido você diz isso? PAULO ANDRÉ: O Gabriel uma vez disse: “esse grupo não tem veado, nunca vi grupo de teatro que não tem veado” (risos). Tinha o Arildo (Barros), mas que é bicha de época e não valia (risos). Mas, falando sério, achei ótimo esse reencontro com o Gabriel. Quando digo justificar minha entrada é porque eu não tenho nenhum talento especial, essa coisa da raça que a gente estava falando, que justificasse minha entrada no Galpão. Eu não era músico, não era circense, não era bailarino, não era palhaço. Agora, uma coisa que eu tenho é disciplina, uma disciplina fodida. Acho mesmo que o talento é moldável, principalmente em teatro. HDC: Quando você diz justificar sua entrada, sente que em “Os Gigantes da Montanha” – no qual você magnetiza o público com suas pontuais, mas precisas entradas no palco – você realiza isso artisticamente? Você percebe que vem, com trabalhos consecutivamente consistentes, aumentando seu patamar no grupo e como artista? PAULO ANDRÉ: Aumentando o patamar como artista é algo que eu sinceramente sinto, sim. Mas não só agora, sinto que venho conquistando isso. Mas isso vem pela própria atitude dos meus colegas de grupo. Eles contam comigo para as coisas acontecerem. Isso é um amadurecimento de artista. Agora, essas atitudes irreverentes são tudo também da direção. O Gabriel pede isso e a peça também. Ela trata de realidade misturada com sonho, e a gente propõe essas loucuras no ensaio e dão certo porque o texto pede isso da gente. Agora, o ator trabalha com dois paradoxos: liberdade e cerca. Quanto mais cerca, mais liberdade tem que ter. HDC: Você comentou mais cedo, antes da entrevista, que o Gabriel não tem mais paciência para o dia a dia da sala de ensaio. Como foi a dinâmica de “Os Gigantes da Montanha”? PAULO ANDRÉ: Ele é um grande criador, um artista naquela acepção da palavra mais antiga, com um pensamento muito barroco, muitas vezes temperamental, mas genial ao mesmo tempo. Então, ele trabalha criando o tempo inteiro. Agora, o teatro não é feito somente com momentos de genialidade, precisa da rotina, da repetição, e ele não tem paciência mais para ficar batendo texto, repetindo música. HDC: A Francesca Della Monica trabalhou com vocês a espacialização da voz. Ela já havia trabalhado com o Galpão antes? PAULO ANDRÉ: Não, foi a primeira vez. A Francesca fez com o Gabriel "Hécuba", "Macbeth" e o "Sua Incelença...". E ela é muito talentosa, é professora de antropologia da voz. HDC: Como essa técnica se aplica na rua? PAULO ANDRÉ: A espacialização é algo que se dá nos seis horizontes, diferentemente da projeção, que é para frente. Não se trata de esforço físico, mas de dramaturgia. A voz é dramaturgia. A ação é feita nos intervalos (da fala) e não na coisa em si. E isso tira um peso. Ela trouxe a cura! Quem é aluno dela é o Dario Fo, ela o curou. E é uma figura apaixonante. HDC: Embora você tenha uma faixa etária similar aos colegas de Galpão, você aparenta uma jovialidade, um lado bem mais pop dentro do grupo. PAULO ANDRÉ: Sou completamente influenciado pela cultura pop. Nasci nos anos 60, é impossível não valorizar isso nas minhas referências, sendo que a erudição veio com o tempo. Minha casa era muito rica nesse sentido. Minha mãe é professora, minha tia era cantora de ópera, meu avô era envolvido com teatro e fundou um colégio. Eu tinha muitas referências eruditas e populares no mesmo lugar. Em 1963, para se ter uma ideia, já tinha televisão lá em casa. Eu escutava ópera, lia gibi, levava enciclopédia para o banheiro (risos). HDC: Esse duo, erudito e popular, é muito associado ao Gabriel e ao Galpão. E, neste espetáculo específico, o texto é mais difícil do que, por exemplo, “Romeu e Julieta”, que também trazia o popular e o erudito, apesar de ser um trabalho para a rua também. Como vocês trabalharam isso? Porque é de novo o Gabriel Villela, na rua, com Galpão, mas com outras instâncias de dificuldade envolvidas. PAULO ANDRÉ: Eu acho que “Os Gigantes da Montanha” é um texto rico porque tem muitas camadas de entendimento. Quem está atrás de um entendimento cartesiano, aristotélico, do início-meio-fim, fica um pouco frustrado talvez. Mas tem tantos outros níveis, que isso pode não ser problema, mesmo na rua. Eu acredito que não será. A fábula do Pirandello é inacabada. Ele, provavelmente, iria acabar de escrever a peça, voltar lá no início, rever tudo e ver se estava certo. Mas não acabou, não reviu e é isso. Isso abre os sentidos. Eu acho que o espectador de rua é naturalmente aberto para isso, e, quando começa a peça, o espectador é catapultado para outra esfera, que não é a de novela. Não tem como ele ficar nesse lugar, porque vai ser tão desinteressante para ele, que só lhe resta ir embora. "Partido" HDC: Você ainda não teve a chance de viver muitos protagonistas no Galpão, embora tenha tido experiências adoráveis como o Seu Coisinha, de “Um Trem Chamado Desejo”. Como se dá isso no grupo e como você percebe essa sua capacidade de chamar a atenção mesmo sem tantos papeis de destaque? PAULO ANDRÉ: Eu nunca fui um ator genial. Aos poucos, tive que batalhar muito para chegar ao patamar que estou hoje, a custo de muito esforço. Eu sempre soube o meu lugar e o lugar dos protagonistas que eu fiz para o Galpão. O Seu Coisinha tinha um apelo muito popular, que o Visconde, do “Partido”, não tinha porque trabalhava com forças opostas a essa simpatia do Coisinha. Eu sinto que esses personagens vêm com a força que eles têm que ter. O Galpão não é feito de protagonistas, lá o trabalho é pelo espetáculo. Todas essas engrenagens estão à frente de qualquer vaidade. E isso não é demagogia, eu aprendi isso lá dentro. Nunca vi nenhum deles ter esse tipo de atitude, nem Teuda, com todo carisma, nem Eduardo, carregando o grupo no muque. Eles só me mostram o contrário. O protagonista é consequência, não pode ser a busca, a não ser que você seja outro tipo de ator. E dentro da ideia do grupo, eu tenho funcionado (risos). HDC: Seus personagens de maior projeção no grupo guardam um lado do cômico e do patético. Mesmo dentro do “Tio Vânia”, que exigia uma atuação mais realista e contida, você trazia esse elemento. PAULO ANDRÉ: Eu lido bem com o patético, eu gosto. Agora, fazer o “Tio Vânia” foi um prazer tão grande, principalmente porque unimos dois personagens da história no Teléguine. E a Yara (de Novaes) fez uma cirurgia plástica perfeita, e a gente juntou os dois sem perder as características próprias de cada um. A Yara me deu uma chave muito importante, no primeiro dia de ensaio, que foi me dizer que eu não precisava ser muito caxias. O personagem era deslocado, de outra época. O Marcelo Castilho Avellar fala disso muito bem na crítica dele ao espetáculo: ele apontava que o Teléguine não está no lugar onde está Vânia, nem a mãe, nem a Soninha, o que era ressaltado claramente nas diferenças de interpretação. A Mariana (Muniz) quase no naturalismo, o Toninho (Antonio Edson) na transição, e o Teléguine já está instalado no passado muito remoto, ele é um móvel da fazenda que ficou e não tem como jogar fora. HDC: “Os Gigantes da Montanha” conta a história de uma companhia que não tem mais lugar no mundo cotidiano, com uma linguagem defasada no tempo, sem público, e que vai parar naquele lugar onírico. É curioso pensar isso montado pelo Galpão, que ainda mobiliza o público, contado aos milhares, mas que, ao mesmo tempo, teve uma repercussão menos entusiasmada com seus projetos voltados ao Tchékov, com “Eclipse”, principalmente. Esse paralelo é possível de ser feito? PAULO ANDRÉ: O Galpão é uma companhia que tem muitos compromissos: com o público, com os patrocinadores, mas, principalmente, com os artistas que formam o grupo. E a gente não pode ser feito só de sucesso, com 5000 pessoas. A gente é feito de “Eclipse” também, porque é isso que vai dar estofo para a gente, e não esse sucesso de Praça do Papa apenas. Mas, se a gente abre mão de um lado, começa a ficar capenga, fica folclórico, deixa de ser grupo de teatro. O “Viagem a Tchékov” foi riquíssimo para a gente, um lugar onde a gente ainda não tinha estado. E é para isso que a gente faz arte, para estarmos em lugares onde ainda não estivemos e para trazer outras perspectivas de nos olharmos dentro do grupo também. Não estar voltado para resultados tão grandes traz outro lugar para mim no grupo, por exemplo. http://horizontedacena.blogspot.com.br/2013/06/paulo-andre-vira-lata-e-gigante.html
segunda-feira, 10 de junho de 2013 Os gigantes do Galpão - Ailton Magioli‏ Teatro - Aliando tradição e popularidade, novo espetáculo do premiado grupo mineiro atrai multidão ao parque ecológico da Pampulha, em BH Ailton Magioli Estado de Minas: 10/06/2013 Muita expectativa e ainda mais público para ver Os gigantes da montanha, novo espetáculo do grupo Galpão, ontem à noite, no parque ecológico da Pampulha. Mas quem deixou para o último dia acabou reclamando. "Não dá para ver nada. O palco é pequeno, tem muita gente em pé na frente de quem está sentado”, queixou-se a estudante Sofia Carvalho, de 13 anos, que resolveu ir embora, desistindo de ver a montagem ao lado da mãe e de uma amiga. “É super-comum as pessoas deixarem para vir na última hora e o espaço, normalmente, não comporta”, lamentou Gilma Oliveira, da produção do Galpão, lembrando que o feriado da semana passada acabou contribuindo para que muitos deixassem para assistir ao espetáculo ontem e anteontem. Segundo cálculos do segurança Fernando Nascimento, mais de 6 mil pessoas passaram pela catraca do parque no sábado, enquanto no domingo esse número teria ultrapassado os 7 mil. Na verdade parecia haver muito mais gente. Empolgada, a produção do Galpão calculava em 10 mil e 12 mil as plateias de sábado e domingo, respectivamente, lamentando o fato de as pessoas deixarem para ver o espetáculo no final da temporada, depois de quatro apresentações na semana passada, na Praça do Papa, quando um público estimado em 25 mil pessoas assistiu à peça que marca o retorno do grupo a seu palco principal – a rua. E mais uma vez sob a direção de Gabriel Villela, depois do sucesso de Romeu & Julieta, que se tornou um marco na carreira do grupo.”É um acontecimento único no mundo do teatro mobilizar essa multidão toda diante de um textro de Luigi Pirandelo não tão fácil”, comemorava o ator Eduardo Moreira, classificando Os gigantes da montanha como um novo fenômeno na carreira da premiada companhia.”E isso não ocorre apenas em Belo Horizonte, mas em toda cidade em que nos apresentamos”, acrescentou o ator, atribuindo o sucesso de público à trajetória vitoriosa de 30 anos de carreira do grupo mineiro. “É a junção do popular com o erudito”, definiu Eduardo Moreira, justificando o novo sucesso da companhia. Para Moreira, a estética do diretor Gabriel Villela é visualmente muito poderosa, além de reconhecida pelo público, que também embarca na linguagem popular do espetáculo, uma fábula que une o mundo da magia ao mundo do teatro. “É quase uma epifania teatral”, empolgou-se ele, salientando o fato de já na primeira música o público entrar no espetáculo. Uma hora antes da apresentação era possível constatar a popularidade do Galpão diante da plateia. Acompanhado de 40 pessoas, Alan Keller, secretário-adjunto de Cultura de Sete Lagoas, desembarcava de um ônibus especialmente alugado por um grupo para assistir ao espetáculo no Parque Ecológico da Pampulha. “Vieram pessoas de Paraopeba, Caetanópolis e Cordisburgo, além de Sete Lagoas”, comemorava o secretário.”Meu sonho é ser um (integrante do) Galpão”, revelou o técnico-administrativo Yan Heyder, de Cordisburgo.”O que mais nos motiva é saber que há um grupo de teatro tão grandioso no estado”, acrescenta o secretário Alan Keller. “Tudo isso só comprova a capacidade que o teatro tem de emocionar e promover a aglomeração de pessoas”, afirmou o ator Antonio Edson, pouco antes de entrar em cena. Até as 19h era possível ver gente entrando no parque, que teve as catracas liberadas nas duas portarias diante do acesso do público, que não parava de chegar depois da hora marcada para o início do espetáculo, 18h. De acordo com os guardas responsáveis pela segurança do espaço, em dias de apresentações artísticas no local o público aumenta sensivelmente no parque, que normalmente recebe aos fins de semana famílias inteiras em busca de lazer e diversão. O Triângulo Mineiro (Araxá, Uberlândia e Uberaba) é a próxima parada do Galpão, que em julho vai levar o novo espetáculo a festivais de Ouro Preto, Ouro Branco e Caxambu, no Sul do estado. O eixo Rio-São Paulo vai receber Os gigantes da montanha em agosto e setembro. O Nordeste (Natal, Recife e Fortaleza) tem datas sendo agendadas para outubro e novembro. De acordo com a produção do grupo mineiro, os festivais de Bogotá (Colômbia) e de Caracas (Venezuela) também já manifestaram interesse na nova performance do Galpão, que ontem provocava reações diversas na plateia. “Senta! Senta! Senta!”, gritavam os mais eufóricos, diante dos que insistiam em permanecer em pé em frente ao palco. As 500 cadeiras disponibilizadas no local não estiveram nem perto de ser suficientes para todos se acomodarem, com a maioria preferindo sentar-se nos platôs gramados que circundam a esplanada do Parque Ecológico, onde foi especialmente montado o palco para as apresentações do fim de semana. Apesar do movimento incessante nas duas portarias, muita gente acabou indo embora, devido às dificuldades de visibilidade. http://beneviani.blogspot.com.br/2013/06/os-gigantes-do-galpao-ailton-magioli.html Mas quem esperou pelo espetáculo não se arrependeu. “Isto aqui está muito bom”, reagiu o comerciante Tarcísio Domingues, que saiu do Bairro Coqueiros em companhia da mulher, das filhas trigêmeas, da cunhada e de duas sobrinhas para curtir o domingo no parque. “Já ouvir falar do Galpão na televisão”, disse ele, enquanto aguardava o início do espetáculo. Pela reação, a peça superou as expectativas.
http://paginacultural.com.br/entrada-franca/grupo-galpao-em-araxa-e-uberlandia/ Grupo Galpão em Araxá e Uberlândia 10/06/2013 - Página Cultural. O Grupo Galpão apresenta dia 16 de junho, no pátio do Teatro Municipal de Uberlândia, o espetáculo “Os Gigantes da Montanha”, do autor italiano Luigi Pirandello. A 21ª montagem da companhia celebra o retorno da parceria com Gabriel Villela, que assina também a direção de espetáculos marcantes do grupo, como “Romeu e Julieta” (1992) e “A Rua da Amargura” (1994). O espetáculo acontece 19 horas e o acesso é gratuito. Classificação indicativa: livre. Peça “Os Gigantes da Montanha” Quando morreu vítima de forte pneumonia, em 1936, Pirandello ainda não havia concluído “Os Gigantes da Montanha”, que possui apenas dois atos. Em leito de morte, o autor relatou ao filho Stefano um possível final, que aparece indicado como sugestão para o terceiro ato. Para o Galpão, o fascínio de montar essa fábula está em sua incompletude, que lhe atribui característica de obra aberta, possibilitando multíplas leituras e interpretações. O texto “Os Gigantes da Montanha” foi uma escolha do diretor Gabriel Villela para celebrar o reencontro com o Galpão. A fábula narra a chegada de uma companhia teatral decadente a uma vila isolada do mundo, cheia de encantos, governada pelo mago Cotrone. A trupe de mambembes encontra-se em profundo declínio e miséria, por obsessão de sua primeira atriz, a condessa Ilse, em montar “A Fábula do filho trocado” (peça escrita por um jovem poeta que se matou por amor não correspondido da condessa). Cotrone, o mago criador de “verdades que a consciência rejeita”, começa a construir os fantasmas dos personagens que faltam para a companhia montar a peça. Ele convida os atores a permanecerem para sempre na Vila, representando apenas para si mesmos a “A Fábula do Filho Trocado”. Ilse, no entanto, insiste que a obra deve viver entre os homens, sendo representada para o público. A solução encontrada, que resultará no desfecho trágico da peça é sua apresentação para os chamados “Os Gigantes da Montanha”, povo que vive próximo da Vila. Os gigantes, por terem um espírito fabril e empreendedor, “desenvolveram muito os músculos e se tornaram um tanto bestiais”, e, portanto, não valorizam a poesia e a arte. O ato final da peça, que ficou inconcluso, mas que chegou a ser vislumbrado pelo autor em leito de morte, descreve a cena em que Ilse e a poesia são trucidadas pelos embrutecidos Gigantes. A peça termina com os atores da companhia carregando o corpo da atriz na mesma carroça em que chegaram à primeira cena. “Os Gigantes da Montanha” traz uma contundente discussão sobre o possível lugar da arte e da poesia num mundo dominado pelo pragmatismo e pela técnica. A morte de Ilse representa a morte e também o renascimento da arte. Como a Fênix que ressurge das cinzas: a velha arte precisa morrer para que novas sensibilidades artísticas brotem e floresçam. Grupo Galpão/Turnê Minas 2013 Os Gigantes da Montanha Direção: Gabriel Villela Classificação: livre Em Araxá 14 de junho de 2013 Teatro Municipal de Araxá – 17 e 20h Informações: (34) 3691.7011 Convites distribuídos na Fundação Calmon Barreto nos dias 10, 11 e 12 de junho, das 9h às 18h. Lugares limitados à lotação da casa. Em Uberlândia 16 de junho de 2013 Pátio do Teatro Municipal – 19h Av. Rondon Pacheco, s/n – Tibery Informações: (34) 3213 1325 Acesso Gratuito
A epifania ou como o teatro superou o futebol por Eduardo Moreira 5 de junho, 2013, 8:44 Finalmente estreamos nosso “Gigantes da montanha”. O cenário não poderia ter sido mais apropriado – a praça do Papa, diante da magnífica serra do Curral, no bairro das Mangabeiras, de onde se descortina uma bela vista da cidade ao fundo do nosso cenário. O lugar já se transformou num teatro ao ar livre permanente do Galpão. Foi lá que o grupo estreou a primeira e a segunda versões de “Romeu e Julieta” , as montagens de “Um Moliere imaginário” e “Till, a saga de um herói torto”. A praça foi também palco de nossas comemorações de vinte, vinte e cinco e trinta anos em BHZ . É triste e lamentável pensar que a mineradora MBR transformou aquele magnífico cenário num outdoor de montanha. Nosso único consolo é que fizemos o espetáculo de frente para a parte que ainda ficou de pé. E o cenário ainda é imponente, configurando-se uma verdadeira ágora grega. O espetáculo foi abençoado por São Pedro, que nos deu uma providencial trégua aos quarenta e dois minutos do segundo tempo. Choveu na quinta, dia trinta, até quase `as 17 horas. O tempo só firmou mesmo nessas três horas antes do espetáculo, mantendo-se firme na sexta,sábado e domingo. Foram noites esplêndidas, com um agradável frio de outono, que nos fazia lembrar dos tempos em que Belo Horizonte ainda desfrutava de um clima frio e suas ruas tinham mais casas e menos asfalto e tantos automóveis. Na segunda voltou a chover forte na cidade. Foi muito emocionante ver a praça apinhada de gente acompanhando, em silêncio atento e respeitoso, os oitenta minutos da peça. Sem dúvida, os encontros do Galpão com o público da cidade já se tornaram um acontecimento único nas artes cênicas mundiais. Em que outro lugar do mundo um grupo de teatro consegue reunir em quatro dias um público assim tão numeroso? Só para se ter uma ideia: uma peça apresentada no palco, com uma media de 250 espectadores por função, teria que fazer cem espetáculos para atingir aproximadamente essa marca de público. E tudo isso transcorreu sem nenhum incidente ou briga, nenhuma notificação policial. A única manifestação de desagravo se deu quando uma parcela do público que havia chegado quase duas horas antes do espetáculo e estava sentada no alto das escadarias, viu sua visão tampada por retardatários que se recusavam a se sentar. Protegidos pelos santos e alojados nessa bela paisagem, recebemos com nossos Gigantes um público estimado entre 20.000 ( estimativas da polícia militar) e 26.000 ( estimativa dos organizadores). Um acontecimento que mexeu com a vida da cidade. A capa do jornal “O Estado de Minas” do dia 30 de maio foi mais uma prova disso. O Galpão e sua estreia ocupavam mais da metade do espaço da primeira pagina, superando de longe o espaço reservado a um jogo de futebol do representante mineiro e único ainda nacional na Copa das Libertadores da América, acontecido no mesmo dia. E a recepção do público superou em muito nossas expectativas. As pessoas estavam vidradas ao final, exaltando principalmente o visual do cenário, dos figurinos, a direção e o trabalho dos atores. Muitos vivas foram dados `a nova parceria do grupo com a estética arrebatadora de Gabriel Villela. Francesca della Monica, nossa fada/bruxa italiana, que durante esses meses de ensaio expandiu nossa vozes pelo espaço e nos contagiou ainda mais de Pirandello com sua paixão pelo autor siciliano e seus Gigantes, comemorava, extasiada, essa verdadeira epifania teatral nascida do encontro das palavras mágicas de Pirandello com o encantamento da encenação de Gabriel e a dedicação de nosotros, atores do Galpão. No dia seguinte `a estreia de quinta-feira, falávamos da satisfação que Pirandello teria sentido em assistir seu teatro e sua poesia reverberando intensamente para mais de cinco mil pessoas numa praça pública. Momentos como esse, com toda a certeza, reafirmam a força avassaladora advinda do encontro entre o público e os atores no teatro e reacendem a esperança numa sociedade capaz de se integrar, se reunir, compartilhar sonhos e buscar soluções coletivas. Como na utopia defendida por Zé Celso Martinez de que o teatro voltasse a emergir como uma força coletiva comparável nos dias de hoje ao espetáculo do futebol, como acontecia nos tempos dos festivais de teatro da Pólis grega. A estreia dos “Gigantes ” na praça do Papa fica na nossa memória como mais um desses momentos mágicos de comunhão do teatro com o público tão pródigo na história de mais de trinta anos do Galpão. Momento febril, habitado por pirilampos encantados que logo se desaparecem na poeira do instante. Quem viu, viu. Quem não viu… 1 Comentário » --x-- ->Pirandello, Gabriel Villela, Scaldati e o Grupo Galpão por Comunicação Grupo Galpão 7 de maio, 2013, 12:18 por Francesca Della Monica Nos Gigantes da Montanha de Gabriel Villela e do Grupo Galpão três lendas se reúnem: a de Franco Scaldati, o jovem alfaiate de Palermo, que escreveu e encenou em sua oficina histórias extraordinárias; a do tecelão de uma linguagem pura e primitiva, representada pela escrita de Pirandello; e a do tear/teatro de Gabriel Villela. Todos os três artistas reconhecem a cena como uma forma de arte que implica imediatamente no homem, que o engole, digere-o…. que o obriga a viver, conhecer e entrar em conflito. Uma obra-mundo onde o dramaturgo, diretor e atores tentam desvendar o monumento artístico que é o ser humano, sua fisicalidade, as múltiplas facetas do seu universo interior, cada um dos quais sendo uma perspectiva de visão do mundo, a sua luz e sua escuridão. “Os Gigantes da Montanha” do Grupo Galpão e Gabriel Villela é uma redescoberta das vozes profundas nas quais que a vida flui impetuosa. A linguagem como um meio de comunicação: Scaldati elege um discurso claramente antigo e pós-moderno, um siciliano que destila sons, ritmos, significados. Os dialetos, a semente que está fluindo, a raiz que atinge 8000 anos de civilização, uma viagem às origens: a sua palavra se espalha por um conhecimento denso, arcaico, primitivo, e expressa o relacionamento com essas raízes antigas. Sicília e Minas Gerais com seus mundos de sonho e fatos mitológicos, de pontos de vista extremos, onde a violência é acompanhada por doces momentos de ansiedade, estabelecendo um absoluto de tensão poética, em que o corpo-voz do poeta e dos jogadores perseguem a utopia de uma liberdade interior que só a vida fora das regras pode garantir até o fim. Histórias dos anjos caídos em lugares diferentes, distantes e próximos, mas perto de um teatro onde a solidão das vozes se transformam em uma polifonia atemporal que chega ao verdadeiro encantamento. 2 Comentários » --x-- ->A travessia do deserto por Eduardo Moreira 9 de abril, 2013, 10:51 Estamos naquele ponto dos ensaios de “Os Gigantes da Montanha” conhecido como “a travessia do deserto”. Os personagens vão sendo esculpidos, as cenas levantadas, um espírito individual e coletivo vai sendo moldado. Como diria nosso amigo Ulisses Cruz, “um cego tateando no escuro, buscando conduzir outros doze cegos numa sala escura”. A criação é um permanente desencontro na busca de se encontrar algo. Tentativa e erro na procura de tornar palpável algo de imponderável. Alguma coisa chamada personagem que te persegue vinte e quatro horas por dia, que você vai conhecendo cada vez mais através de suas palavras, para quem vamos tentando moldar um corpo e uma voz, uma visão de mundo, um modo de se relacionar com os outros, mas que ainda nos é estranho. Como um apêndice que muitas vezes destoa e nos desequilibra. A queda que nos faz levantar, quase sempre de forma diferente. Algo que começa a te pertencer e fazer parte de seu corpo e do seu espírito, mas que subitamente te escapa. Uma miragem no deserto. Um oásis que parece estar próximo e que, de uma hora para outra, se torna mais distante ou desaparece. Uma inquietação que te arranca do tempo histórico e te lança num tempo mítico. Um tempo que te aparta de datas, fatos, jornais, encontros sociais, compromissos. O mergulho no universo da pura ficção. Arrebatamento que necessita de silêncio e solidão para nos nutrir de forças suficientes para a travessia em seu ponto mais distante e ameaçador. Como um náufrago disposto a se agarrar a qualquer coisa para não sucumbir ao fundo do mar. Aprendiz de mago que desenha maravilhas nos vãos das sombras. Alquimista da incerteza mergulhado na inquietação de uma permanente embriaguez celeste. Desbravador de buracos negros em busca de fantasmas. Andarilho da loucura desprovido de rumo e de direção Ser atirado no olho do furacão. O ator no meio da travessia do deserto. 1 Comentário » --x-- ->Grupo Galpão – História de Encontros no Chile por Comunicação Grupo Galpão 19 de fevereiro, 2013, 16:18 O chileno Osvaldo Obregón enviou-nos, por e-mail, um belo depoimento sobre a apresentação do Grupo Galpão no Festival Santiago a Mil e sobre o livro “Grupo Galpão: Uma História de Encontros”, escrito por Eduardo Moreira. Confiram a seguir: “Tu regalo “Historia de encuentros” ha sido mi libro de cabecera después del FIT Santiago a Mil y durante mi estancia en Valdivia. Te transmito el comentario prometido en una apretada síntesis: 1) Muy acertado el título, que corresponde perfectamente a los encuentros del Galpón (prefiero usar la traducción al español, ya que es difícil encontrar el acento portugués de la palabra); 2) Es impresionante la amplitud nacional e internacional que ha logrado tener el Galpón en su historia de 30 años; 3) Es muy rico el bagaje teatral que tú has ganado desde su fundación, tanto a nivel teórico como práctico. Mencionas a casi todas las grandes figuras y corrientes contemporáneas que han aportado a la dramaturgia textual y escénica. Entre los clásicos se destaca Shakespeare, en particular gracias al montaje de “Romeo y Julieta”. También se menciona a Molière; 4) He aprendido mucho sobre el teatro brasileño (que he podido ver en los festivales de Cádiz y Almada), gracias a que el Galpón ha trabajado con los grandes maestros nacionales; 5) El libro es una mezcla amena de testimonios, narración y reflexión; 6) No es común que una compañía estable tenga tal longevidad. En general, durante los primeros años, se produce una confraternidad idealizada y después comienzan los conflictos interpersonales. Al parecer, el Galpón ha logrado mantener una sana convivencia; 7) El período en que el Galpón incursiona en el cine es atractivo y se habla de la mezcla cine-teatro, que es una tendencia actual presente en Italia, Chile y otros países; 8 ) La lectura me ha servido también para saber algo más de Inés Peixoto como actriz del Galpón; 9) Si hubiera por ventura una nueva edición del libro, valdría la pena re-elaborar el final, el cual me parece muy abrupto, sin una síntesis con las debidas conclusiones; 10) El Galpón ha practicado el teatro de sala, pero especialmente el teatro de calle o al “aire libre”. Me parece que han incursionado en muy variados aspectos del espacio teatral de esta última categoría, salvo en uno: actuar en un estadio de fútbol. Esto se ha producido en varios países. Vi hace algunos años en el Estadio Nacional de Francia en París un montaje de “Ben Hur”, de gran calidad, dirigido por Robert Hossein. Se hicieron varias representaciones con mucho público. En Chile se produjo un fenómeno que no tiene precedentes, que yo sepa, en el resto del mundo. Entre 1940 y 1973 se fue gestando progresivamente, sin que nadie lo programara, un teatro popular de masas, con motivo del “clásico universitario”, debido a la confrontación de los clubes deportivos profesionales y rivales de la Universidad de Chile y de la Universidad Católica. Paralelamente al partido de fútbol, las barras universitarias competían también, presentando cada una un espectáculo, que tenía como escenario todo el rectángulo de juego, más la pista de ceniza, la torre del marcador y la puerta de maratón, como entrada y salida a escena. Participaban cientos y miles de actores, bajo la tutela de un director y varios sub-directores, en dos versiones: la diurna y la nocturna. Este espectáculo convocaba cada vez 60 y 70 mil espectadores de ambos sexos y de todas las edades. Sobre este tema se va a publicar a mediados de marzo y por primera vez en Chile, un trabajo mío, ya publicado íntegramente en francés y catalán en sus respectivos países, con versiones parciales en español (Canadá, España, Francia y Guatemala) e igualmente en inglés (USA). Si me das tu dirección postal, tendré el placer de enviarte el libro por publicar en Chile. Leyendo tu historia del Galpón me ha parecido que el escenario de un estadio sería un bello desafío para tu compañía, bajo la condición de contar con un centenar de “extras”, mediante una “parcería”. Felicitaciones, entonces, por este libro que condensa la memoria del grupo desde su nacimiento y que perdurará como principal testimonio de la trayectoria del Galpón. (¿Tiene alguna relación con el también famoso Galpón de Montevideo, liderado hasta su muerte por Atahualpa del Cioppo?). Un abrazo grandote para ti e Inés, Osvaldo Obregón” http://www.grupogalpao.com.br/blog/ Galpão no Chile, em 2013. Foto: Babaya
Grupo Galpão apresenta Gigantes da Montanha no Parque Ecológico da Pampulha Escrito por: Eliza Peixoto Sáb, 08 de Junho de 2013 10:51 altQuem não assistiu ao espetáculo do Grupo Galpão, na Praça do Papa, no último final de semana, tem ainda a chance de apreciar “Os Gigantes da Montanha”, no Parque Ecológico da Pampulha, hoje, sábado, e amanhã, às 18 horas. O espetáculo, que levou milhares de pessoas à Praça do Papa, é baseado em uma obra inacabada do dramaturgo italiano Pirandello. Quando morreu, em 1936, o autor havia terminado apenas os dois primeiros atos. O terceiro foi ditado ao filho, já no leito de morte. Na montagem do Galpão é respeitado o inacabado do pelo diretor Gabriel Villela. Apesar de talentos individuais se sobressaírem, como Julio Maciel, Regina de Souza e Inês Peixoto, o trabalho conjunto dos atores é de se admirar. Cada dia mais o grupo se destaca pela parte vocal, em uma trilha musical italiana, que chega ao auge com a canção Cia amore ciao. Enquanto se aguarda o início do espetáculo o público é brindado com uma trilha sonora semelhante às tocadas nos antigos parques de diversão que corriam as cidades do interior. De quebra você ainda pode aproveitar para conhecer o lugar.. Vale a pena conferir! Serviço: Os gigantes da montanha De Luigi Pirandello. Direção de Gabriel Villela. Com Grupo Galpão. Parque Ecológico da Pampulha Av. Otacílio Negrão de Lima, 7.111 - Pampulha. Telefone de contato: 3277-7439 As linhas de ônibus que podem ser utilizadas para se chegar até o Parque são: 3302 4408 - Tijuca Sábado e domingo, às 18h. Entrada franca. http://santaterezatem.com.br/component/categoryblock/grupo-galpao-apresenta-qgigantes-da-montanhaq-no-parque-lagoa-do-nado
• Next PUBLICADO EM 09/06/13 - 03h00 Liliane Pelegrini Especial para o Tempo A italiana Francesca Della Monica tem um lugar especial nos agradecimentos do diretor Gabriel Villela e do Grupo Galpão, por seu trabalho no recém-estreado “Os Gigantes da Montanha”. O espetáculo traz o texto do dramaturgo Luigi Pirandello (1867-1936), compatriota de Francesca. Nesta primeira parceria com grupo e diretor, ela teve a missão de trazer uma nova concepção para a voz. Nesta entrevista, ela conta sobre este processo: Como começou sua relação artística com o Brasil? Começou oito anos atrás, quando eu já era responsável pela pedagogia na Fondazione Pontedera Teatro, na Itália, onde (o diretor teatral polonês Jerzy) Grotowski viveu seus últimos anos. Ali conheci o ator e diretor brasileiro Cacá Carvalho (que então já tinha um forte intercâmbio com a Itália) e ele fez um projeto com a fundação que foi uma ponte para esse contato. Ele me convidou para participar de uma montagem de “Dom Quixote”, que foi co-dirigida por Roberto Bacci, da Fondazione Pontedera. Depois, fizemos “O Homem Provisório”, baseado em “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa. O Cacá já havia trabalhado com o Grupo Galpão e foi ele quem nos apresentou. Em 2006, ministrei uma oficina de voz para o grupo e foi naquela ocasião que encontrei a realidade do grupo. Foi um encontro importantíssimo. Ali, conheci também o Ernani Maletta, que já trabalhava há muito tempo na preparação vocal do Galpão. Ele ficou muito interessado na minha metodologia e desenvolvemos uma parceria muito bacana, inclusive dois anos depois ele foi para a Itália e, além de colaborações, ele fez uma pesquisa de doutorado sobre o meu trabalho. Foi também o Ernani que me apresentou ao diretor Gabriel Villela. Assim que nos conhecemos, houve um sintonia muito grande. Logo surgiu a vontade de trabalharmos todos juntos. E como foi, então, trabalhar com o Galpão e o Gabriel Villela? O Gabriel é uma pessoa de uma sensibilidade incrível, inclusive no que se refere à voz. Ele entendeu de um jeito muito profundo o meu trabalho. Antes, sempre ficávamos conversando sobre a Itália, pensando como seria maravilhoso montar “Os Gigantes da Montanha”, que é uma metáfora maravilhosa da arte, da vida e da realidade de um grupo. Uma ideia que felizmente se realizou e eu entrei nessa realidade maravilhosa do Grupo Galpão e dos seus colaboradores, todos tão sensíveis, como o Ernani, a Babaya e o Marcelo Cordeiro. Quero ressaltar o Marcelo, que assina a assistência de direção (junto com Ivan Andrade) porque ele tem uma pesquisa sobre o corpo similar, o corpo polissemântico, que casou muito com a minha pesquisa. E tudo casou muito bem com a estética do Galpão. Esses meses de trabalho foram de milagres artísticos, por podermos trabalhar a dramaturgia completa de Pirandello. Antes, na Itália, você já havia participado de uma montagem do mesmo texto de Pirandello. Como relaciona essas duas experiências, a de lá e a daqui? As duas montagens são muito diferentes. Lá, trabalhei com o Federico Tiezzi, que também é um diretor incrível e me fez mergulhar na obra de um jeito muito filosófico. Foi uma montagem linda. Com o Galpão, foi como mergulhar de novo. Tive, inclusive, a necessidade de ‘apagar’ memórias para fazer uma nova viagem. Conhecia o texto de cor em italiano e agora conheço de cor também em português. São dois rumos muito diferentes e ficaram experiências que alimentaram meu conhecimento. A montagem do Galpão, com o Gabriel Villela, foi feita de uma forma muito feliz. Essa releitura deu uma nova vida ao texto. Para mim, é uma alegria também entregar um pouco da cultura italiana para os trópicos. Você é uma atropóloga da voz, ciência que ainda não é muito comum no Brasil. No que consiste esse trabalho e como foi o processo com o Galpão para “Os Gigantes da Montanha”? Meu processo acontece em duas direções diferentes. Uma é encontrar os diversos espaços para a voz, que são espaços epistemológicos diferentes. Num espaço físico, a voz é uma coisa; num espaço imaginário, é outra; dentro do ator, é outra. Tudo isso acontece simultaneamente. Os atores têm que fazer um trabalho múltiplo por todas as camadas da voz e os processos extra-verbais. Por isso foi importantíssimo a parceria com o Marcelo Cordeiro, que tem essa pesquisa do corpo similar e polissemântico, para chegar nessas várias linguagens. É um trabalho que alcançou níveis inexplorados da voz, de afinações e extensões da voz. Outra direção do que eu faço é o trabalho diretamente sobre o texto, em nível verbal e extra-verbal, valores fonéticos, lógicos, semânticos. Claro que é um trabalho que acontece todo por intermédio de experiências singulares, particulares e coletivas, encontrando as problemáticas de cada ator. Trabalhei com todos individual e coletivamente. O Gabriel me deu a liberdade imensa de no primeiro mês trabalhar exclusivamente com voz e texto, um a um. Trabalhamos por seis meses. Ter esse tempo é um privilégio pouco comum no teatro. Você chegou a comentar, antes da estreia da montagem com o Galpão, que ficou encantada com a tradução feita por Beti Rabetti que serviu de base para o espetáculo. É uma tradução ótima! Em “Os Gigantes da Montanha”, Pirandello alcança o nível mais elaborado da linguagem e da dramaturgia. É um diamante. Lendo a tradução feita pela Beti, tive a imprenssão de ler o texto em italiano. Eu o conheço de cor e fiquei impressionada com o que ela realizou nesta tradução. Ela estava doente e não conseguia escrever. Então, ela foi traduzindo oralmente, gravando aquilo com a voz dela. Pensei no primeiro instante que essa conjunção de ter tido que fazer a tradução falada fez a palavra ser trabalhada de uma forma diferente, física. Ajudou muito a já trazer uma embocadura. Muitas vezes, o tradutor faz uma obra-prima literariamente, mas não pensa que aquelas palavras vão parar nas bocas dos atores. Como a palavra já havia passado pela boca dela, é um trabalho que já traz em si essa outra comunicação. É uma tradução linda, que preserva a mitologia siciliana, italiana, e a poesia de Pirandello. Como foi assistir a estreia desse espetáculo sobre o qual você se debruçou por tanto tempo, ali naquele cenário natural grandioso que é a praça do Papa? Vocês estão acostumados com esses números tão grandes, aquele monte de gente. Mas eu... Imagina a minha emoção! Meu corpo estremeceu, foi uma alegria enorme compartilhar daquele momento. (Hoje, o Galpão faz a última apresentação da temporada em BH, no Parque Ecológico da Pampulha.) Você costuma dizer que acha Minas Gerais e a Sicília, na Itália, muito parecidas... Penso que são duas terras míticas, de muitas histórias e raízes, valorização da família, dos elmentos primordiais, da natureza... Pirandello conseguiu em seu texto criar uma síntese das raízes antiquíssimas da Sicília e uma linguagem moderna, experimental. Do mesmo modo, Galpão e Gabriel Villela conseguiram sintetizar as raízes e a modernidade aqui em Minas. Tanto o Galpão quanto o Gabriel têm um “apego” – ou melhor, um apreço – grande por seus colaboradores. A maioria está com eles há 10, 20 anos – Babaya e Ernani Maletta, por exemplo. Seria, então apenas o começo da sua trajetória com o grupo e o diretor? Acho que rolou um amor muito grande, quero muito trabalhar mais com todos. Foram meses maravilhosos. Volto para Europa na próxima semana, mas vamos nos reencontrar. Em outubro, devo voltar para uma nova montagem de Gabriel Villela em São Paulo e também farei concertos aqui em novembro. http://www.otempo.com.br/divers%C3%A3o/magazine/o-alcance-e-os-espa%C3%A7os-da-voz-1.660548