quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

08Jan Gabriel Villela estreia no Tucarena o espetáculo “Um Réquiem Para Antonio” BETE ANDRADE NOTÍCIAS - DEMAIS E-mailImprimir Inspirado na lendária inveja de Antônio Salieri por Wolfgang Amadeus Mozart, a peça traz no elenco Elias Andreato, Claudio Fontana, Nábia Vilela e Mariana Elisabetsky No ano em que completa 25 anos de trajetória artística, Gabriel Villela lança novo trabalho, “Um Réquiem Para Antônio”. A estreia acontece dia 17 de janeiro, sexta-feira, no Teatro Tucarena. A ideia de fazer um espetáculo sobre a inveja do compositor italiano Antônio Salieri (1750 – 1825) pela vida e da obra do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791) foi do ator Elias Andreato, que sugeriu o tema para Dib Carneiro Neto escrever uma peça em que ele e Claudio Fontana atuassem juntos. Dib e Claudio se envolveram com a proposta e um ano e meio depois a peça estreia regida pelas mãos do diretor Gabriel Villela. “Aqui temos uma reunião de artistas que se admiram e se complementam” comenta o produtor e ator Claudio Fontana. No texto, Salieri trancafiado em seu quarto, de forma delirante, acerta contas, no leito de morte, com aquele que, morto 34 anos antes dele e precocemente (perto de completar 35 anos de vida), foi alvo de muita inveja: Mozart. Diz a lenda do mundo da música clássica, reforçada pela ficção, que Salieri enlouqueceu perseguindo Mozart no período em que conviveram na Áustria, tentando destruí-lo e procurando impedir sua criação, pois queria ser ele a personalidade musical mais notória de seu tempo, com vistas a deixar uma obra eterna, a ser cultuada por todas as gerações futuras. Não conseguiu. Mozart fracassou na vida, mas triunfou na música. Dib afirma que foi muito prazeroso escrever sabendo que seria para Elias e Claudio atuarem. “Os dois, na vida, têm uma relação muito próxima de amizade e uma dinâmica de interação baseada em muita brincadeira, algo que eu chamaria de um ‘bullying´ afetivo. Isso me inspirou no desenvolvimento da dinâmica também entre os personagens, ou seja, Mozart tratando Salieri do mesmo jeito que Claudio trata Elias: com um humor inteligente, com um carinho e uma admiração disfarçados de muita provocação. E Elias respondendo a isso como um Salieri rabugento, irritadiço, impaciente.“ A encenação de Gabriel Villela aponta o lado mítico da inveja, trazendo um Salieri sombrio, confuso e frágil em contraponto a um Mozart gozador, confiante e ágil. Um pequeno picadeiro florido criado por Gabriel em parceria com o cenógrafo Márcio Vinícius recebe o embate entre esses dois compositores com narizes de clown e figurinos que imprimem o arquétipo dos personagens antes mesmo das palavras aparecerem no espetáculo. Os figurinos são assinados pelo diretor em parceria com José Rosa. Os adereços foram todos confeccionados pelo artista plástico Shicó do Mamulengo, do Rio Grande do Norte. A música no espetáculo tem sua própria dramaturgia, entra e sai das alucinações da Salieri como um fio condutor de suas neuroses e lembranças. As músicas de Mozart escolhidas para entrar peça são: Sinfonia em Sol Menor, Marcha Turca, Rainha da Noite (ária da ópera Flauta Mágica) e Lacrimosa (ária do seu último réquiem). Para a elaboração da parte musical Gabriel convidou uma importante e frequente parceira artística de seus trabalhos mais recentes, a italiana Francesca Della Monica, antropóloga da voz, pesquisadora de voz da Universidade de Firenze, Itália. Uma das preocupações da montagem foi moldar a voz para o Tucarena. "Cada espaço cênico e dramatúrgico pede uma configuraçao específica da dinâmica da voz. A arena exige uma espacializaçao esférica e uma relação cosmogônica com a plateia. Tudo isso combina perfeitamente com a ideia do circo e também da orquestra cênica, onde trágico e cômico se fundem e o espetáculo teatral se torna um concerto de vozes cantadas e faladas" descreve Francesca. A voz falada e a partitura de cada ator foram trabalhadas por outra antiga parceira de Gabriel Villela: a fonoaudióloga e preparadora vocal mineira Babaya, enquanto a direção musical e arranjos couberam ao maestro Miguel Briamonte, que juntamente com o pianista Fernando Esteves desenvolveram um trabalho técnico minucioso trazendo parte da magia das inesquecíveis composições de Mozart. Completam a equipe criativa do espetáculo o iluminador Wagner Freire e os assistentes de direção Ivan Andrade e Daniel Mazzarolo. Gabriel Villela escolheu a linguagem circense, alegórica e popular para falar desses dois personagens que fizeram parte da história da música clássica.” É no popular que está o meu coração”, diz o diretor. Dos atores ele exige precisão para que alcancem a linguagem clownesca proposta. “Se o ator não triangular com os três pontos igualmente, a fábula fica estática". Esta é a primeira vez que Elias Andreato é dirigido por Gabriel. Sobre este trabalho o ator comenta: “Tenho um prazer imenso em estar aqui. Eu e Cláudio temos um encontro de muito tempo, tenho muita admiração por ele, além de uma amizade de muitos anos. E o Gabriel mostra um lado poético que me proporciona um entendimento maior sobre o meu ofício, o nosso ofício. Ele propõe novos caminhos, o que para mim, com 35 anos de carreira, é maravilhoso. Ele vem e diz - abre mais um pouco, vai por outro caminho -, e eu vou. Nunca me vi tão disponível como agora”. E Villela complementa, “o Elias é um ator raro, quando chego para o ensaio, por exemplo, ele já está presente e trocando informações sobre a direção artística do espetáculo com os profissionais do nosso ateliê, que fica dentro da sala de ensaio, é um ator que se aprofunda em todas as camadas do espetáculo, da manufatura do figurino até a hora da cena.” Para Claudio Fontana, “o Gabriel propõe uma rica linguagem metafórica para os atores, trabalhar desta forma é um desafio constante”. Sobre o processo de escrita de seu novo texto, Dib conta, ”A relação entre Mozart e Salieri é bastante rica e intrigante, a ponto de ter atingido o estágio mítico. Extrapolou a realidade e virou prato cheio para a ficção. A genialidade de Mozart chegou ao ponto máximo em muito pouco tempo, pois ele morreu jovem. Salieri, por sua vez, também era muito conhecido e respeitado em seu tempo – e, ainda assim, segundo diz o mito ou reza a lenda, ele perseguia com obsessão a fama do outro. Sendo assim, fui misturando o que li e vi durante minha fase de pesquisa, principalmente: as peças teatrais de Pushkin e de Peter Shaffer, o filme de Milos Forman, as biografias de Harold Schonberg e Peter Gay e as cartas de Leopold (pai de Mozart). O resultado é este ‘Um Réquiem para Antonio’, que defino como um ‘sonho-delírio-desconcerto’ de Antonio Salieri, à beira da morte.” Ficha técnica: Texto: Dib Carneiro Neto. Direção: Gabriel Villela. Elenco: Elias Andreato, Claudio Fontana, Nábia Vilela e Mariana Elizabetsky. Figurino: Gabriel Villela e José Rosa. Cenário: Márcio Vinícius. Adereços: Shicó do Mamulengo. Iluminação: Wagner Freire. Preparação vocal: Babaya. Espacialização vocal e antropologia da voz: Francesca Della Mônica. Direção musical e arranjos: Miguel Briamonte. Pianista: Fernando Esteves. Assistência de direção: Ivan Andrade e Daniel Mazzarolo. Produção executiva: Clíssia Morais e Francisco Marques. Direção de produção: Claudio Fontana. Serviço: UM RÉQUIEM PARA ANTONIO, de Dib Carneiro Neto. Tragicomédia. Sinopse: Após ter vivido atormentado por estar sempre à sombra de Mozart, o invejoso Antonio Salieri reencontra seu rival para um acerto de contas a respeito do lendário envenenamento do prodigioso compositor. Com Elias Andreato e Claudio Fontana. Direção: Gabriel Villela. Duração 70min. Teatro Tucarena. Sex e Sáb 22h, Dom 19h. R$ 40 (sex), R$ 50 (sáb e dom). Classificação 14 anos. Estreia 17/01. Vendas online - www.ingressorapido.com.br http://www.segs.com.br/demais-noticias/144979--gabriel-villela-estreia-no-tucarena-o-espetaculo-um-requiem-para-antonio-.html

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Clowns de Shakespeare apresentam Ricardo III este domingo na UFRN Publicação: 24 de Novembro de 2013 às 11:50 Comentários 0 Enviar por emailImprimirAumentar FonteDiminuir Fonte A programação do festival "O mundo inteiro é um palco", criado em alusão aos 20 anos de atividades do grupo de teatro Clowns de Shakespeare, segue este domingo com apresentação gratuita do espetáculo "Sua Incelença, Ricardo III" no anfiteatro da UFRN às 18h. A montagem, dirigido pelo diretor mineiro Gabriel Villela, estreou em novembro de 2010 e já levou os potiguares para palcos internacionais, turnês nacionais e os principais festivais de teatro do Brasil. Divulgação A premiada peça Sua Incelença, Ricardo III volta em cartaz para a fase de aniversário, neste domingoA premiada peça Sua Incelença, Ricardo III volta em cartaz para a fase de aniversário, neste domingo A peça é baseada no drama histórico Ricardo III, de William Shakespeare, que os Clowns revisitam através do universo lúdico do picadeiro do circo, dos palhaços mambembes e das carroças ciganas, criando assim um diálogo entre as tramas da Inglaterra Elisabetana e a realidade do sertão Nordestino. http://tribunadonorte.com.br/news.php?not_id=267411 O figurino e as músicas que compõem a peça evidenciam bem essa miscelânea de cultura e época que marcam o espetáculo, com indumentárias de couro, cipó e outros materiais típicos da região com sedas e tecidos nobres de diversos países e peças modernas de grifes internacionais. Musicalmente, o rock inglês permuta com as incelenças fúnebres das carpideiras nordestinas. A peça traz a música de Queen a Luiz Gonzaga, Supertramp ao cancioneiro popular nordestino, numa mistura muito inusitada e harmônica. Programação O Mundo Inteiro é um Palco Anfiteatro da UFRN Dia 24, domingo 18h - “Sua Incelença, Ricardo III”, com os Clowns de Shakespeare Dia 25, segunda 20h - “Os Gigantes da Montanha”, do Grupo Galpão (MG) Informações: 3221-1816 ou clowns.com.br
A peça “Um Réquiem para Antônio”, com direção do premiadíssimo Gabriel Villela, com texto do jornalista, crítico e dramaturgo Dib Carneiro Neto estreará no dia 17 de janeiro no Tucarena, em Perdizes. No elenco, Elias Andreato, Cláudio Fontana, Nábia Vilela, Mariana Elisabetsky e o pianista Fernando Esteves, que também estará em cena. Bom, prosa vai prosa vem, um passarinho verde me contou que o elenco do espetáculo passará o “bye, bye, 2013” no Sítio Esquentalho de Gabriel Villela, aqui no “Carmo Calmo”. http://www.clicfolha.com.br/noticia/29694/uma-tragicomedia
Avaliação: 0/5 (nenhum voto) Sua avaliação: UM RÉQUIEM PARA ANTONIO Tragicomédia | Texto: Dib Carneiro Neto | Direção: Gabriel Villela http://www.amoteatro.com.br/pecas/um-requiem-para-antonio Sinopse: Após ter vivido atormentado por estar sempre à sombra de Mozart, o invejoso Antonio Salieri reencontra seu rival para um acerto de contas a respeito do lendário envenenamento do prodigioso compositor. Elenco: Elias Andreato e Claudio Fontana. Duração: 70 min. Classificação: 14 anos. Tucarena R. Bartira esq. c/ r. Monte Alegre, Perdizes, São Paulo, SP. Telefone: (11) 3670-8462. www.teatrotuca.com.br Sessões: Sex, 22h; Sab, 22h; Dom, 19h. Preço: De R$40,00 a R$50,00. Temporada: De 17/01/2014 até 30/03/2014.
Publicado em 05/01/2014 às 03h03 Elias Andreato e Claudio Fontana vivem embate de compositores em Um Réquiem para Antonio Tags: claudio fontana, dib carneiro neto, elias andreato, miguel arcanjo prado, r7, teatro, um réquiem para antonio Comentários1 Comentário joao caldas Elias Andreato e Claudio Fontana vivem embate de compositores em Um Réquiem para Antonio Elias Andreato e Claudio Fontana vivem uma rixa entre compositores no Tucarena - Foto: João Caldas Por Miguel Arcanjo Prado O jornalista e dramaturgo Dib Carneiro Neto lança texto inédito no Tucarena, em São Paulo, no próximo dia 17 de janeiro de 2014. Trata-se de Um Réquiem para Antonio, que trará Elias Andreato e Claudio Fontana juntos mais uma vez nos palcos. A direção é do mineiro Gabriel Villela, que completa 25 anos de carreira. O enredo é baseado no embate entre o compositor italiano Antônio Salieri (1750 – 1825), papel de Andreato – que teve a ideia da peça –, e o compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791), papel de Fontana. Este diz que a peça reúne “artistas que se admiram e se complementam”. A italiana Francesca Della Monica assina a parte musical da obra. Ela afirma que sua relação com Villela “é o encontro entre duas almas gêmeas que tem um sentido comum da arte, do teatro entendido como lugar da poesia e terra de cruzamento das experiências estéticas mais importantes". Mais uma vez, o diretor mergulha na linguagem circense para dar vida a sua história. Ele diz que seu coração "mora no popular". http://entretenimento.r7.com/blogs/teatro/2014/01/05/elias-andreato-e-claudio-fontana-dividem-o-palco-em-nova-peca-de-dib-carneiro-neto-um-requiem-para-antonio/ Um Réquiem para Antonio Quando: Sexta e sábado, 22h; domingo, 19h. 70 min. Onde: Tucarena (Rua Monte Alegre, 1024, Perdizes, São Paulo, tel.0/xx/11 3670-8454) Quanto: R$ 40 (sexta) e R$ 50 (sábado e domingo) Classificação etária: 14 anos
05/01/2014 - 03h15 Abertura da peça "Um Réquiem para Antonio" PUBLICIDADE DIB CARNEIRO NETO ilustração ZED NESTI http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2014/01/1392819-abertura-da-peca-um-requiem-para-antonio.shtml Ouvir o texto SOBRE O TEXTO Este é o trecho inicial da peça inédita "Um Réquiem para Antonio", que estreia no próximo dia 17 no Tucarena (São Paulo), em montagem dirigida por Gabriel Villela. Elias Andreato faz o papel do compositor italiano Antonio Salieri (1750-1825), e Claudio Fontana, o do austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-91), no texto que recupera o tema da relação mítica de inveja entre os dois músicos. * (Uma noite qualquer do ano de 1825, ano da morte do compositor italiano Antonio Salieri. Um quarto amplo. Quando a peça começa, Salieri está falando sozinho, divagando de forma meio débil e delirante. Wolfgang Amadeus Mozart está ao piano e sua presença ainda não é percebida por Salieri. Toda a peça se passa dentro da cabeça de Antonio Salieri.) ANTONIO SALIERI (velho, abatido, dirigindo-se até a sua cama para deitar, faz um solilóquio inicial) - Ah, a inveja... Brota de que órgão do nosso corpo esse sentimento viscoso e gosmento? Não creio que o mais abnegado dos praticantes da ciência e da medicina saiba nos responder ao certo. O coração já é por demais bombeado por todo tipo de artérias emaranhadas e amores difíceis... Prefiro acreditar que bastaria um mero jato de sangue bom para expulsar dali qualquer cancro modorrento como a inveja... O fígado? Também não. O fígado é fábrica de bile: vive ocupado em depurar a mais variada gama de líquidos diabólicos que nos inebriam desde a mais tenra idade. Que ilusão infeliz de que nos salvará de nossas ameaças mais etílicas... O estômago? Não: a inveja, ácida, não se dissolve nem com suco gástrico. É tão corrosiva como se fosse abrindo crateras estéreis na superfície da vida, uma estrada esburacada de insatisfação e de incompletude... Pulmões? Talvez, pois me falta ar toda vez que cobiço o que não tenho... Intestino? Pode ser também, já que a inveja, delgada, se enrosca e se enovela em mim, cada vez mais fétida... Ao menos se eu não tivesse nem olhos nem ouvidos, para ficar pouco exposto a esse sentimento torpe... Quem sabe se eu mesmo me arrancar as pupilas agora mesmo e sangrar meus tímpanos, como nos arroubos dos personagens míticos da velha Grécia, sempre guiados pelas forças da natureza... Mas cegos e surdos não invejam justamente os que têm olhos e ouvidos? Aaaaaaaai de mim! Ah, a inveja que me apodrece os ossos... Se fosse concreta, ela teria o gosto e a consistência daquelas poções fumegantes de bruxas encarquilhadas... Um caldeirão no fogo, unhas de felino, asas de morcego, ranho de hipopótamo, merda de elefante... Oh, deuses do além, preciso com urgência de três bruxas de rostos desfigurados e de malignas imprecações! Venham sem demora! Venham, moiras! Venham, górgonas! Triturem meu cérebro em vida, oh, vermes insensíveis, para que meus pensamentos fiquem ocos de todo conteúdo. Para que eu não perca mais um só minuto tentando compreender e compreender e compreender o que parece não comportar nenhuma explicação plausível... Querer ser o outro. Não há melhor exemplo do autoengano que assola a humanidade. Pois se Deus assim nos fez, Deus assim nos quer. Ou não? Somos o 'Seu' exército de soldadinhos de chumbo, cada qual diferente do outro: nunca dois serão iguais, para deleite de um Deus cruel que nos cria díspares justamente para que desejemos o que não temos... Pois é isso! É de Deus que brota a inveja! É desse Deus que implantam dentro de nós, desse carrasco que instalam em nossas entranhas, é Dele que nasce a inveja! E, por ironia do criador, é para Ele próprio que ela se volta, pois quem é que não inveja Deus?! Mozart é Deus, estás me ouvindo, Wolfgang? Antonio Salieri quer ser o Deus Mozart, estás me ouvindo ainda, Wolfgang Amadeus? Eduardo Knapp/Folhapress Pintura do artista Zed Nesti Pintura do artista Zed Nesti DIB CARNEIRO NETO, 52, é jornalista, crítico teatral e dramaturgo, vencedor do Prêmio Shell pela peça "Salmo 91", em 2008. ZED NESTI, 44, artista plástico, irá expor no 5º Salão dos Artistas Sem Galeria, nas galerias Casa da Xiclet (de 17/1 a 16/2) e Zipper (de 18/1 a 15/2), em São Paulo.
Gabriel Villela estreia em janeiro novo espetáculo, “Um Réquiem Para Antonio” janeiro 3, 2014 - Teatro - Tagged: Antônio Salieri, Claudio Fontana, Dib Carneiro Neto, Elias Andreato, Gabriel Villela, Teatro Tucarena, Um Réquiem Para Antonio, Wagner Freire, Wolfgang Amadeus Mozart - no comments Requiem1 No ano em que completa 25 anos de trajetória artística, Gabriel Villela lança novo trabalho, “Um Réquiem Para Antônio”. A estreia acontece dia 17 de janeiro, sexta-feira, no Teatro Tucarena. A ideia de fazer um espetáculo sobre a inveja do compositor italiano Antônio Salieri (1750 – 1825) pela vida e da obra do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791) foi do ator Elias Andreato, que sugeriu o tema para Dib Carneiro Neto escrever uma peça em que ele e Claudio Fontana atuassem juntos. Dib e Claudio se envolveram com a proposta e um ano e meio depois a peça estreia regida pelas mãos do encenador Gabriel Villela. “Aqui temos uma reunião de artistas que se admiram e se complementam” comenta o produtor e ator Claudio Fontana. No texto de Dib, Salieri, trancafiado em seu quarto, de forma delirante, acerta contas, no leito de morte, com aquele que, morto 34 anos antes dele e precocemente (perto de completar 35 anos de vida), foi alvo de muita inveja: Mozart. Diz a lenda do mundo da música clássica, reforçada pela ficção, que Salieri enlouqueceu perseguindo Mozart no período em que conviveram na Áustria, tentando destruí-lo e procurando impedir sua criação, pois queria ser ele a personalidade musical mais notória de seu tempo, com vistas a deixar uma obra eterna, a ser cultuada por todas as gerações futuras. Não conseguiu. Mozart fracassou na vida, mas triunfou na música. O autor afirma que foi muito prazeroso escrever sabendo que seria para Elias e Claudio atuarem. “Os dois, na vida, têm uma relação muito próxima de amizade e uma dinâmica de interação baseada em muita brincadeira, algo que eu chamaria de um ‘bullying’ afetivo. Isso me inspirou no desenvolvimento da dinâmica também entre os personagens, ou seja, Mozart tratando Salieri do mesmo jeito que Claudio trata Elias: com um humor inteligente, com um carinho e uma admiração disfarçados de muita provocação. E Elias respondendo a isso como um Salieri rabugento, irritadiço, impaciente.“ A encenação de Gabriel Villela aponta o lado mítico da inveja, trazendo um Salieri sombrio, confuso e frágil em contraponto a um Mozart gozador, confiante e ágil. Um pequeno picadeiro florido criado por Gabriel em parceria com o cenógrafoMárcio Vinícius recebe o embate entre esses dois compositores com narizes de clown e figurinos que imprimem o arquétipo dos personagens antes mesmo das palavras aparecerem no espetáculo. Os figurinos são assinados pelo diretor em parceria com José Rosa. Os adereços foram todos confeccionados pelo artista plástico Shicó do Mamulengo, do Rio Grande do Norte. A música no espetáculo tem sua própria dramaturgia, entra e sai das alucinações da Salieri como um fio condutor de suas neuroses e lembranças. As músicas de Mozart escolhidas para entrar peça são: Sinfonia em Sol Menor, Marcha Turca, Rainha da Noite (ária da ópera Flauta Mágica) e Lacrimosa (ária do seu último réquiem). Para a elaboração da parte musical Gabriel convidou uma importante e frequente parceira artística de seus trabalhos mais recentes, a italiana Francesca Della Monica, antropóloga da voz, pesquisadora de voz da Universidade de Firenze, Itália, e também responsável pela pedagogia na Fondazione Pontedera Teatro, onde o diretor teatral polonês Jerzy Grotowski viveu seus últimos anos. “Minha relação artística e humana com Gabriel é o encontro entre duas almas gêmeas que tem um sentido comum da arte, do teatro entendido como lugar da poesia e terra de cruzamento das experiências estéticas mais importantes”, relata Francesca. Uma das preocupações da montagem foi moldar a voz para o Tucarena. “Cada espaço cênico e dramatúrgico pede uma configuraçao específica da dinâmica da voz. A arena exige uma espacializaçao esférica e uma relação cosmogônica com a plateia. Tudo isso combina perfeitamente com a ideia do circo e tambem da orquestra cênica, onde trágico e cômico se fundem e o espetáculo teatral se torna um concerto de vozes cantadas e faladas” descreve Francesca. Francesca trabalhou a espacialização da voz. A voz falada e a partitura de cada ator foram trabalhadas por outra antiga parceira de Gabriel Villela: a fonoaudióloga e preparadora vocal mineira Babaya, enquanto a direção musical e arranjos couberam ao maestro Miguel Briamonte, que juntamente com o pianistaFernando Esteves desenvolveram um trabalho técnico minucioso trazendo parte da magia das inesquecíveis composições de Mozart. Completam a equipe criativa do espetáculo o iluminador Wagner Freire e os assistentes de direção Ivan Andrade e Daniel Mazzarolo. Gabriel Villela escolheu a linguagem circense, alegórica e popular para falar desses dois personagens que fizeram parte da história da música clássica.” É no popular que está o meu coração”, diz o diretor. Dos atores ele exige precisão para que alcancem a linguagem clownesca proposta. “Se o ator não triangular com os três pontos igualmente, a fábula fica estática”. Esta é a primeira vez que Elias Andreato é dirigido por Gabriel. Sobre este trabalho o ator comenta: “Tenho um prazer imenso em estar aqui. Eu e Cláudio temos um encontro de muito tempo, tenho muita admiração por ele, além de uma amizade de muitos anos. E o Gabriel mostra um lado poético que me proporciona um entendimento maior sobre o meu ofício, o nosso ofício. Ele propõe novos caminhos, o que para mim, com 35 anos de carreira, é maravilhoso. Ele vem e diz – abre mais um pouco, vai por outro caminho -, e eu vou. Nunca me vi tão disponível como agora”. Villela completa, “O Elias é um ator raro, quando chego para o ensaio, por exemplo, ele já está presente e trocando informações sobre a direção artística do espetáculo com os profissionais do nosso ateliê, que fica dentro da sala de ensaio, é um ator que se aprofunda em todas as camadas do espetáculo, da manufatura do figurino até a hora da cena.” Claudio Fontana acrescenta: “O Gabriel propõe uma rica linguagem metafórica para os atores, trabalhar desta forma é um desafio constante”. Uma das diretrizes escolhida pelo diretor para começar os estudos que deram início aos ensaios foi o livro de Elias Norbert, “Mozart – sociologia de um gênio”, no qual o sociólogo alemão faz uma profunda análise sobre o gênio. O autor reflete sobre como uma música considerada sublime poderia ter sido criada por um ser debochado, infantil, que adorava escrever cartas com vocabulário chulo, que se divertia com referências claras à escatologia. O autor não dissocia a “pessoa” do “criador”, e que talvez seja exatamente por essa razão que a obra de Mozart seja dotada de tanto vigor, beleza e verdade. Sobre o processo de escrita de seu novo texto, Dib conta, ”A relação entre Mozart e Salieri é bastante rica e intrigante, a ponto de ter atingido o estágio mítico. Extrapolou a realidade e virou prato cheio para a ficção. A genialidade de Mozart chegou ao ponto máximo em muito pouco tempo, pois ele morreu jovem. Salieri, por sua vez, também era muito conhecido e respeitado em seu tempo – e, ainda assim, segundo diz o mito ou reza a lenda, ele perseguia com obsessão a fama do outro. Sendo assim, fui misturando o que li e vi durante minha fase de pesquisa, principalmente: as peças teatrais de Pushkin e de Peter Shaffer, o filme de Milos Forman, as biografias de Harold Schonberg e Peter Gay e as cartas de Leopold (pai de Mozart). O resultado é este ‘Um Réquiem para Antonio’, que defino como um ‘sonho-delírio-desconcerto’ de Antonio Salieri, à beira da morte.” http://www.arteview.com.br/index.php/noticias/gabriel-villela-estreia-em-janeiro-novo-espetaculo-um-requiem-para-antonio/ Ficha técnica: Texto: Dib Carneiro Neto. Direção: Gabriel Villela. Elenco: Elias Andreato, Claudio Fontana, Nábia Vilela e Mariana Elizabetsky. Figurino: Gabriel Villela e José Rosa. Cenário: Márcio Vinícius. Adereços: Shicó do Mamulengo. Iluminação: Wagner Freire. Preparação vocal: Babaya. Espacialização vocal e antropologia da voz: Francesca Della Mônica. Direção musical e arranjos: Miguel Briamonte. Pianista: Fernando Esteves. Assistência de direção: Ivan Andrade e Daniel Mazzarolo. Produção executiva: Clíssia Morais e Francisco Marques. Direção de produção: Claudio Fontana. UM RÉQUIEM PARA ANTONIO, de Dib Carneiro Neto. Duração 70min. Teatro Tucarena. Sex e Sáb 22h, Dom 19h. R$ 40 (sex), R$ 50 (sáb e dom). Classificação 14 anos. 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