quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Ed Paiva
26 de setembro próximo a São Paulo ·

O Teatro do SESI reabre com a estreia de "Peer Gynt", de Ibsen com adaptação e direção de Gabriel Villela. No papel do libertário personagem, Chico Carvalho, com Mel Lisboa, Maria do Carmo Soares, Nábia Villela, Dagoberto Feliz, Romis Ferreira entre outros. Ingressos gratuitos. A temporada vai de 29 de setembro a 18 de dezembro. Destaque na Folha Corrida de 26/09/2016.
#teatro #ibsen #peergynt #sesi #teatrosp — com Chico Carvalho, Luciana Carnieli, Gabriel Villela e Peer Gynt direção Gabriel Villela.


http://gazetavirtual.com.br/mel-lisboa-em-peca-no-sesi/#more-30125

Mel Lisboa em peça no Sesi

 
A montagem do clássico “Peer Gynt”, de Henrik Ibsen, reabrirá o Teatro do Sesi-SP no dia 29 de setembro, às 15 horas. A produção, do diretor Gabriel Villela, traz no elenco Chico Carvalho (como Peer Gynt) e Mel Lisboa (como Solveig, par romântico do protagonista), além de outros 13 atores para dar vida ao poema épico norueguês. A peça fica em cartaz até 18 de dezembro, de quarta a sexta-feira, às 15 horas (para agendamentos escolares e de grupos), e aos sábados e domingos, às 15h30 (para o público em geral), sempre com entrada gratuita.
Na trama, ao sair de sua vila para ganhar o mundo, agindo apenas conforme seus próprios desejos, o anti-herói encontra pelo caminho duendes, trolls e ninfas, passa por diferentes paisagens, ganha dinheiro ilegalmente, mas logo perde tudo e acaba sendo coroado “Imperador de Si Mesmo” em um manicômio na cidade do Cairo, Egito. Ao retornar à sua terra natal, ele percebe que tudo o que precisava estava ali e agora precisa lidar com as consequências de suas ações.
Local: Avenida Paulista, 1.313 (em frente à estação Trianon-Masp do Metrô). Classificação: 14 anos. Reservas antecipadas pelo site.http://www.sesisp.org.br/meu-sesi



Diversão & Arte

Teatro Sesi reabre com montagem de 'Peer Gynt'

29 de Setembro de 2016
Depois de ficar fechado para reformas, o teatro Sesi, na avenida Paulista, volta a funcionar com a estreia de "Peer Gynt", hoje, às 15h. O espetáculo fica em cartaz até o dia 8/12, sempre com entrada gratuita.
Escrita pelo norueguês Henrik Ibsen em 1867, a história foi adaptada por Gabriel Villela. Estrelam Chico Carvalho, como Peer Gynt, e Mel Lisboa, como Solveig.
O espetáculo conta a história de Gynt, um jovem sonhador que resolve deixar a Noruega para conhecer o mundo. Durante suas aventuras, conhece seres mágicos, como duendes e ninfas.
Depois de ser coroado como Imperador de Si Mesmo, no Egito, Gynt decide voltar à Noruega, mas precisa lidar com as consequências de suas atitudes. Acaba percebendo que, na verdade, tudo que precisa está em sua casa, e que a vida é feita de fases.
A trilha sonora é composta por músicas dos Beatles, Queen e marchinhas carnavalescas, todas interpretadas pelos atores.
Sessões durante a semana são apenas para escolas, sendo necessário agendamento no site do Sesi. Aos sábados e domingos, ficam abertas ao público em geral.
www.sesisp.org.br/meu-sesi
Qua. a sex., 15h; sáb. e dom., 15h30. Grátis

http://www.destakjornal.com.br/noticias/diversao-arte/teatro-sesi-reabre-com-montagem-de-peer-gynt-318254/

Gabriel Villela encena ‘Peer Gynt’, o Macunaíma norueguês de Ibsen

Antes que o termo globalização circulasse pelos quatro cantos do mundo moderno, o dramaturgo norueguês Henrik Ibsen já testava em uma peça as teorias de integração econômica, social, política e cultural. Para isso, o personagem criado não poderia estar preso a nenhuma cronologia tampouco ao ano 1987, quando o texto foi publicado. “Ele orbita o universo de Saturno, o deus do tempo”, aponta Gabriel Villela, que estreia nesta quinta-feira, 29, o espetáculo Peer Gynt, na reabertura do Teatro do Sesi.
Na saga, o jovem rapaz abandona sua vila natal na Noruega e parte com o desejo de conquistar o mundo. Em seu caminho, Gynt vai se deparar com duendes, trolls e ninfas. Cheio de ambição, o rapaz passa a ganhar dinheiro ilegalmente e ainda vai comandar o tráfico negreiro e comércio ilegal de imagens sagradas. “No começo, ele é bastante inocente, mas, ao longo da jornada, vai realizando coisas de acordo com seus desejos, não se importando com as consequências”, explica o ator Chico Carvalho, que interpreta o personagem.
Gynt ainda vai ser tachado de louco, coroado como O Imperador de Si Mesmo e interditado em um manicômio na cidade do Cairo. “Aos poucos, ele percebe a consequência de seus atos e para onde foi levado”, diz o ator. Sem limites ao costurar misticismo a temas terrenos, como lucro ilícito, racismo e exploração, a montagem acessa a urgência desses dois mundos, conta Villela. “A realidade é o mundo dos desejos e o personagem não tem medo em assumir isso.” Para ele, Gynt habita um panteão ao lado de Dom Quixote e de Hamlet. “Ibsen cria um herói antirromântico e egocêntrico, ao contrário do delírio altruísta do personagem de Cervantes ou do retrato dramático do príncipe de Shakespeare.”
O que vai embalar essa personalidade excêntrica é o que impulsionou as multidões apaixonadas pelos Beatles, explica o diretor musical Marco França. Há canções como Yellow Submarine, além as de outras bandas de rock como Queen e The Doors. “Elas alimentaram uma estética sonora que serviu de combustível para um espírito transgressor”, explica França sobre a adaptação que tem foco no público jovem.
Apesar de estraçalhar as fronteiras, sobre Gynt pesarão as consequências. O que é interessante, aponta Villela, é que a culpa não tem origem religiosa. “Ele representa a classe dos países capitalistas, que defendia o comércio de escravos. No entanto, ele percebe suas culpas sem a ajuda da Igreja ou de códigos morais”, diz. Gynt é tão transgressor que parte do alto capitalismo à alta profecia. Ao deixar a Noruega, o personagem ironiza a própria trajetória dos líderes espirituais e se encaminha para um deserto. “Em uma passagem da Bíblia, Jesus vai até lá para conhecer a si mesmo.” E como ele, Gynt também vai sofrer com as investidas de Aslak, um ferreiro com feições diabólicas.
Um capítulo especial serviria para discutir a maneira como Villela conduz a encenação. O conjunto de quimonos utilizados por parte do elenco masculino possui dupla face. Em uma delas, estampas com motivos geométricos e do outro lado delicadas imagens de flores. “Não era do agrado dos árabes utilizar representações do mundo visível em coisas concretas. O outro lado do figurino retoma as florestas norueguesas.” As peças que acompanham essa saga multicultural vão de chapéus bávaros, passando por máscaras étnicas que revestem os trolls e as cartolas dos capitalistas, até sombrinhas orientais.
E tal qual os anéis circulares de Saturno, o tempo cíclico será o verdadeiro algoz do personagem. O destino de Peer Gynt será o mesmo da parábola do Filho Pródigo: voltar com as malas cheias de ilusão. “É o eterno retorno”, completa Villela.
PEER GYNT
Teatro do Sesi. Avenida Paulista, 1.313. Tel.: 3528-2000. 4ª, 5ª, 6ª, 15h; sáb., dom., 15h30. Grátis. Estreia 29/9. Até 16/12.http://istoe.com.br/gabriel-villela-encena-peer-gynt-o-macunaima-noruegues-de-ibsen/
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Rate this post
Rate this post
Escrita pelo norueguês Henrik Ibsen, a peça tem direção de Gabriel Vilella. Na trama, o protagonista ganha o mundo e vive as mais variadas experiências até voltar à Noruega, sua terra natal, descobrindo que tudo o que ele procurava estava exatamente ali. Uma epopeia pessoal em busca da liberdade que será embalada por uma trilha sonora jovem, com várias canções dos Beatles.
Serviço
Peer Gynt
Local: SESI SP – Av. Paulista, 1313
Data/hora: de 29 de setembro a 16 de dezembro – 15:30
Entrada gratuita
Luiz Carlos Merten
BLOG
Luiz Carlos Merten
Uma geléia geral a partir do cinema
     
CULTURA
Ufa, Gabriel!
0
       
Luiz Carlos Merten

29 Setembro 2016 | 10h11

Voltei ontem de Brasília, ainda aturdido de tanta ‘extraterritorialidade’, tema da curadoria de Eduardo Valente – Cuba em construção, massacre de índios e de pequenos agricultores etc -, e à noite já estava na reinauguração do Teatro do Sesi, na sede da Fiesp, para ver o Peer Gynt de Gabriel Villela. No dia 12, Gabriel saiu do ensaio para minha festa de aniversário. O espetáculo já estava quase pronto, mas ele ainda estava ‘cortando’. O ideal, para um espetáculo ‘juvenil’, era não ultrapassar 100 min. No programa da peça, Gabriel diz que Peer Gynt, o texto completo de Henryk Ibsen, daria um espetáculo de cinco horas. Cinco! Fui pesquisar e encontrei que Ingmar Bergman fez duas montagens integrais, a primeira delas com o jovem Max Von Sydow, e que Bergman foi pioneiro ao prescindir da trilha de Edvard Grieg para encher sua versão de cantos populares nórdicos. Muito interessante. Gabriel também prescinde da trilha de Grieg. Substitui-a pelos Beatles. Help!, Girl, Yellow Submarine, Lucy in the Sky with Diamonds, Strawberry Fields Forever e All You Need Is Love, com os acréscimos de Bohemian Rhapsody, The Windmills of Your Mind ( a canção tema ‘oscarizada’ de Crown, o Magnífico, a versão com Steve McQueen), Lapinha e Pierrô Apaixonado. Dizer que o Peer Gynt de Gabriel é deslumbrante, para os olhos e ouvidos, pode ser correto, mas não dá conta do seu significado nem importância. O mais incrível é que a sensação de extaterritorialidade prosseguiu comigo, em outra mídia e contexto. No programa, Gabriel define Peer Gynt como matriz fundadora da obra posterior de Ibsen, voltada à (re)fundação do indivíduo. Joseph Losey filmou Casa de Bonecas, Steve McQueen, em sua única experiência como diretor, O Inimigo do Povo. Há no YouTube uma versão reduzida, de uma dezena de minutos, de um Peer Gynt estrelado por Charlton Heston no começo da carreira dele. Peer tem algo de macunaímico na maneira como vai se descolando dos mundos que atravessa, mas não é exatamente o caráter, ou a falta de, que está em discussão como matriz criativa da identidade. Com os trolls, Peer, que sonha ser imperador, aprende que o importante é ser o que se é, e vira imperador de si mesmo, consagrado num asilo de loucos. Lembrei-me muito de Philippe de Broca, Le Roi de Coeur, Esse Mundo É dos Loucos, de 1966. Imaginai! A essência do teatro e, no fundo, de toda criação. O não pertencimento, essa sensação de estar (sempre) numa encruzilhada. Vivemos tempos de hiperindividualismo e amores líquidos. Que reste-t-il de nos amours? Peer Gynt morre no final? E se morre, qual é a próxima encruzilhada? Belo e provocativo como é o espetáculo – como? Eu ouvi direito? Provas e não apenas convicções? -, é atravessado por angústias existenciais e pelo sentimento de morte. Termina numa nota de melancolia muito delicada, muito sensível. Amei! Não é só uma das grandes montagens deste ano, mas uma das melhores, entre as que conheço, de Gabriel. E pensei comigo – lá vou eu fazer inimigos – que meu amigo está ficando solitário nesse teatro brasileiro de coletivos, de gostos e valores médios, como gosta de dizer (sobre o cinema) Júlio Bressane. Nada contra, mas Gabriel Villela é um encenador da estirpe dos maiores – Luchino Visconti, Patrice Chéreau. Ave, Gabriel! Sinto que a crítica de teatro não dá conta do que ele anda fazendo. Fica elogiando o figurino e dando esse tipo de prêmio – que é merecido, claro -, mas sem valorizar a autoria, o pensamento. A Tempestade, Rainhas do Orinico e Peer Gynt. Só as três últimas montagens de Gabriel abraçam o teatro, o mundo. Quando, no texto de apresentação, ele diz que o épico brechtiano começou a ser gestado nas peças de um autor realista e simbólico, mas dado a voos de imaginação, como Ibsen, o recado é muito sério. Há sempre bastante canto nas peças de Gabriel – em Peer Gynt. Mas há canto, e canto. Os atores soltam a voz como Brecht gostaria. Não ‘interpretam’ a música, no sentido de dramatizá-la, como se faz nos musicais tradicionais. A pegada é outra. Distanciamento crítico. ‘Ave’ não dá mais conta do que esse homem propõe. Ufa, Gabriel!http://cultura.estadao.com.br/blogs/luiz-carlos-merten/ufa-gabriel/
Dib Carneiro Neto com Gabriel Villela.
duardo Valente – Cuba em construção, massacre de índios e de pequenos agricultores etc -, e à noite já estava na reinauguração do Teatro do Sesi, na sede da Fiesp, para ver o Peer Gynt de Gabriel Villela. No dia 12, Gabriel saiu do ensaio para minha festa de aniversário. O espetáculo já estava quase pronto, mas ele ainda estava ‘cortando’. O ideal, para um espetáculo ‘juvenil’, era não ultrapassar 100 min. No programa da peça, Gabriel diz que Peer Gynt, o texto completo de Henryk Ibsen, daria um espetáculo de cinco horas. Cinco! Fui pesquisar e encontrei que Ingmar Bergman fez duas montagens integrais, a primeira delas com o jovem Max Von Sydow, e que Bergman foi pioneiro ao prescindir da trilha de Grieg para encher sua versão de cantos populares nórdicos. Muito interessante. Gabriel também precinde da trilha de Grieg. Substitui-a pelos Beatles. Help!, Girl, Yellow Submarine, Lucy in the Sky with Diamonds, Strawberry Fields Forever e All You Need Is Love, com os acréscimos de Bohemian Rhapsody, The Windmills of Your Mind ( a canção tema ‘oscarizada’ de Crown, o Magnífico, a versão com Steve McQueen), Lapinha e Pierrô Apaixonado. Dizer que o Peer Gynt de Gabriel é deslumbrante, para os olhos e ouvidos, pode ser correto, mas não dá conta do seu significado nem importância. O mais incrível é que a sensação de extaterritorialidade prosseguiu comigo, em outra mídia e contexto. No programa, Gabriel define Peer Gynt como matriz fundadora da obra posterior de Ibsen, voltada à (re)fundação do indivíduo. Joseph Losey filmou Casa de Bonecas, Steve McQueen, em sua única experiência como diretor, O Inimigo do Povo. Há no YouTube uma versão reduzida, de uma dezena de minutos, de um Peer Gynt estrelado por Charlton Heston no começo da carreira dele. Peer tem algo de macunaímico na maneira como vai se descolando dos mundos que atravessa, mas não é exatamente o caráter, ou a falta de, que está em discussão como matriz criativa da identidade. Com os trolls, Peer, que sonha ser imperador, aprende que o importante é ser o que se é, e vira imperador de si mesmo, consagrado num asilo de loucos. Lembrei-me muito de Philippe de Broca, Le Roi de Coeur, Esse Mundo É dos Loucos, de 1966. Imaginai! A essência do teatro e, no fundo, de toda criação. O não pertencimento, essa sensação de estar (sempre) numa encruzilhada. Vivemos tempos de hiperindividualismo e amores líquidos. Que reste-t-il de nos amours? Peer Gynt morre no final? E se morre, qual é a próxima encruzilhada? Belo e provocativo como é o espetáculo – como? Eu ouvi direito? Provas e não apenas convicções? -, é atravessado por angústias existenciais e pelo sentimento de morte. Termina numa nota de melancolia muito delicada, muito sensível. Amei! Não é só uma das grandes montagens deste ano, mas uma das melhores, entre as que conheço, de Gabriel. E pensei comigo – lá vou eu fazer inimigos – que meu amigo está ficando solitário nesse teatro brasileiro de coletivos, de gostos e valores médiosd, como gosta de dizer (sobre o cinema) Júlio Bressane. Nada contra, mas Gabriel Villela é um encenador da estirpe dos maiores – Luchino Visconti Patrice Chéreau. Ave, Gabriel! Sinto que a crítica de teatro não dá conta do que ele anda fazendo. Fica elogiando o figurino e dando esse tipo de prêmio – que é merecido, claro -, mas sem valorizar a autoria, o pensamento. A Tempestade, Rainhas do Orinico e Peer Gynt. Só as três últimas montagens de Gabriel abraçam o teatro, o mundo. Quando, no texto de apresentação, ele diz que o épico brechtiano começou a ser gestado nas peças de um autor realista e simbólico, mas dado a voos de imaginação, como Ibsen, o recado é muito sério. Há sempre bastante canto nas peças de Gabriel – em Peer Gynt. Mas há canto, e canto. Os atores soltam a voz como Brecht gostaria. Não ‘interpretam’ a música, no sentido de dramatizá-la, como se faz nos musicais tradicionais. A pegada é outra. Distanciamento crítico. ‘Ave’ não dá mais conta do que esse homem propõe. Ufa, Gabriel! (foto: João Caldas)
http://cultura.estadao.com.br/blogs/luiz-carlos-merten/ufa-gabriel/