quarta-feira, 14 de março de 2018


IMAGINAI! O TEATRO DE GABRIEL VILLELA


Horários e locais

30/03 (Sexta-Feira) às 17:00 em Teatro Sesc da Esquina (Rua Visconde do Rio Branco, 969 Centro)

Descrição

https://festivaldecuritiba.com.br/evento/imaginai-o-teatro-de-gabriel-villela/

O livro apresenta a obra do diretor teatral Gabriel Villela, retratando a riqueza artística levada por ele aos palcos. Registros de todos os seus espetáculos, tanto os teatrais como shows e óperas, são apresentados com textos do próprio diretor trazendo suas memórias acerca de cada montagem, com referências aos bastidores, às parcerias, ao processo criativo e à trajetória
das encenações. Juntam-se a esse material artigos de críticos, artistas e parceiros que falam de diferentes aspectos de seu trabalho, como a criação e cenários e figurinos, os métodos de preparação de elenco e a relação de sua obra com o universo circense.



Ficha Técnica

Imaginai! O teatro de Gabriel Villela.
Organização: Dib Carneiro Neto e Rodrigo Audi. Edições SESC São Paulo | 2017.
Mesa Redonda: Dib Carneiro Neto, Gabriel Villela e Rodrigo Audi.
14 Mar 2018 | domtotal.com

Conflito

Pior do que não poder descansar é não se permitir o descanso.
No sétimo dia descansou o Senhor do Tempo.
No sétimo dia descansou o Senhor do Tempo. (Henry Perks/ Unsplash)
Por Gilmar Pereira
“Descansar!” – grita o comandante à sua tropa. Como pode alguém descansar à base do grito? Talvez a tensão seja tanta que, ao brado de descanso, todos se sintam livres e aliviados. Mas disso não posso falar porque não servi no Exército. Ou seria ao Exército? De qualquer forma, não servi “a” nem “no”, mas vivi servindo.
Aprendi muito na Igreja – e não da Igreja – que “quem não vive para servir, não serve para viver”.  Acho drástico e errado, mas me submeti a essa lógica de não poder ser peso para nada, nem ninguém. Consequência: não sabia descansar. Tinha inveja da imagem cantada por Renato Russo na música “Vento no litoral”, na qual era descrito o desejo de descansar à tarde, chegando à praia e vendo se o vento estaria forte, subindo nas pedras, deixando a onda acertar a si. Cenário bucólico e ritmo lento pareciam alentadores, mas não para mim.
Pior do que não poder descansar é não se permitir o descanso. A gente se entope de afazeres mesmo não os tendo como obrigação. Alguns o fazem para fugir do tédio e da angústia; outros, para se sentirem importantes; ou ainda, e talvez o que justifique tudo isso, fugir de si. É uma armadilha estranha essa na qual nos prendemos, criar um tumulto ou conflito externo - ao qual sempre se está acorrendo para apaziguar – enquanto camufla-se o conflito interno.
Há outros momentos em que se pode experimentar o contrário, onde tudo ao redor é tensão, mas internamente se experimenta a paz. Nessas situações, o equilíbrio de um salva os demais. Servem à paz os que servem na paz. Trata-se de um movimento transbordante no qual a harmonia interna se comporta como um diapasão para afinar as relações externas. Entretanto, tenha cuidado! Não entenda que a paz é ausência de conflitos. Ela consiste, algumas vezes, no paradoxo de não entrar em conflito estando em meio a ele.
Tudo isso talvez dependa de equilíbrio na vida, o que talvez seja complicado, já que se pode cair na tensão ao se tentar equilibrar equilibrar. A melhor imagem, pois, é a de quem tempera uma comida, vai dosando a temperatura e os elementos que se achegam até que o prato esteja no ponto. Algumas vezes servimos, outras deixamo-nos ser servidos; amamos e somos amados; trabalhamos e descansamo; ora encontramos, ora perdemos. Há um tempo para cada coisa e aprender mesmo isso é questão de tempo. Aliás, no sétimo dia descansou o Senhor do Tempo.
Boca de Ouro
Ao longo de nossa vida aderimos a diversas ideias e valores que, com frequência, conflitam entre si. Entretanto, vivemos de modo tranquilo até que dois ou mais pedem prioridade ao mesmo tempo, urgindo opção. São os mesmos que interferem no modo como experimentamos o mundo e caracterizam aquilo que pode ser chamado de "nossa verdade".  Cada um lê a realidade por um prisma, mas a verdade mesma, a totalidade do real, esta no escapa. São os fragmentos do real que nos ajudam a compor um mosaico que é preciso ser visto em cada parte e olhado como um todo para ser compreendido. Nisso se inscreve o conceito atual da pós-verdade, que questiona sobre o verdadeiro na pluralidade de narrativas. A verdade mesma, talvez esteja no dito ou no não-dito ou no interdito ou em tudo isso. A peça Boca de Ouro fala disso.
Boca de Ouro (Malvino Salvador) é um lendário bicheiro carioca, figura temida e megalomaníaca, que tem esse apelido porque trocou todos os dentes por uma dentadura de ouro. Quando Boca é assassinado, seu passado é vasculhado pelo repórter Caveirinha (Chico Carvalho), que vai até acasa da ex-amante Guigui (Lavínia Pannunzio). Lá, ouve a versão da ex-amante, que desanca o bicheiro. Ao saber de seu assassinato, Guigui se arrepende e exalta Boca como uma figura amorosa. Já no terceiro ato, Guigui volta a desancar o bicheiro, pois teme ser abandonada pelo marido Agenor (Leonardo Ventura). Nas três versões relatadas, surge o casal Celeste (Mel Lisboa) e Leleco (Claudio Fontana), que tem relação direta com o assassinato de Boca de Ouro.
As diferentes versões de Guigui para a morte de Boca de Ouro levaram o diretor Gabriel Viellela a fazer conexões com uma pesquisa recente da universidade de Harvard, sobre um fenômeno contemporâneo chamado “pós-verdade”. Villela explica: “É um produto da modernidade tecnológica: você inventa uma história, realinha ideias, publica, arruma vários seguidores e isso se amplia, viraliza na internet e ninguém mais sabe sobre o que se está falando. Somos todos vítimas disso. (...) A Guigui é insuperável – com três expedientes emocionais e psíquicos, ela conta três vezes a mesma história, embaralhando com maestria para que tudo seja incrivelmente verdadeiro”.
17 de março, sábado às 21h00; 18 de março, domingo às 19h00
Palacio das Artes - Av Afonso Pena, 1537, Belo Horizonte-Minas Gerais
Informações e ingressos no site Ingresso Rápido.
http://domtotal.com/artigo/7298/2018/03/conflito/
Gilmar Pereira
Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, graduado em Filosofia pelo CES-JF e em Teologia pela FAJE. Apaixonado por arte, cultura, filosofia, religião, psicologia, comunicação, ciências sociais... enfim, um "cara de humanas". Escreve às sextas-feiras.

terça-feira, 13 de março de 2018

Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues com Malvino Salvador 17/03 e 18/03

Malvino Salvador vive o lendário bicheiro carioca, ao lado de Mel Lisboa, Claudio Fontana e grande elenco.
Um cordão típico das gafieiras mais tradicionais do país abre a versão de Villela para a tragédia carioca de Nelson Rodrigues (1912-1980), escrita em 1959. Usando confetes, serpentinas e máscaras, o diretor, responsável também pela cenografia e figurinos, cria uma encenação com aura de carnaval, embalada por 14 grandes sucessos que vão de Dalva de Oliveira, Herivelto Martins, Ary Barroso, Ataulfo Alves, Lupicínio Rodrigues a João Bosco, entre outros.
Boca de Ouro é um lendário bicheiro carioca, figura temida e megalomaníaca, que tem esse apelido porque trocou todos os dentes por uma dentadura de ouro. Também é conhecido como o Drácula de Madureira. Quando Boca é assassinado, seu passado é vasculhado por um repórter. Sua fonte é dona Guigui, ex-amante do contraventor, mulher que, ao longo da peça, revela diferentes e contraditórias versões do bicheiro.
Este é o mote da tragédia carioca “Boca de Ouro”, cujo papel-título é vivido por Malvino Salvador, na montagem de Gabriel Villela que chega ao Rio depois de quatro meses de sucesso no Teatro Tucarena, em São Paulo. Estão ainda no elenco Mel Lisboa e Claudio Fontana, como o casal Celeste e Leleco; Lavínia Pannunzio, que vive a transtornada Guigui, ao lado de Leonardo Ventura, que dá vida a seu fiel e apaixonado marido Agenor. Chico Carvalho é Caveirinha, o rodriguiano repórter que carrega em si o olhar afiado e crítico Nelson Rodrigues, jornalista que durante anos trabalhou em redações e conheceu ele próprio os vícios e contradições da imprensa. Cacá Toledo e Guilherme Bueno completam o elenco junto a Jonatan Harold,ao piano, e Mariana Elisabetsky, interpretando as 14 canções do espetáculo.
Esta é o terceiro texto de Nelson Rodrigues encenado por Gabriel Villela. Em 1994 montou A Falecida, com Maria Padilha no papel título, e em 2009Vestido de Noiva, protagonizado por Leandra Leal, Marcello Antony e Vera Zimmerman.
Malvino Salvador fala de sua experiência na pele do bicheiro de Madureira e da expectativa com a temporada carioca: “Essa peça foi muito importante na minha carreira pelo aprendizado que eu adquiri, por ter dividido o palco com grandes atores, por conhecer o universo do Gabriel Villela, que é um dos nossos maiores diretores, que tem uma personalidade vibrante, impressa nas suas montagens. (…) Para mim está sendo muito importante trazer Boca de Ouro aqui para o Rio que, a gente sabe, é uma das principais praças do Brasil, e onde se criou o universo rodriguiano. Depois de uma temporada de sucesso em SP, tanto de público quanto de crítica, a peça tem o potencial de chegar aqui de uma maneira muito bonita, é isso que eu espero.”
Meia Entrada: Meia-entrada conforme Lei nº 12.933 de 26 de dezembro de 2013 e Decreto 8.537, de 5 de dezembro de 2015.
Atenção estudantes
De acordo com a lei federal nº12.933, em vigência desde 01/12/2015, para ter acesso ao benefício da meia entrada você deve apresentar a CIE – Carteira de Identificação Estudantil, que deve conter:
Conteúdo da carteira
Na face de identificação do portador do documento deverão constar obrigatoriamente os seguintes dados:
·nome civil completo; ou
·nome social, na hipótese de estudante travesti e transexual;
·nome da instituição de ensino na qual o estudante esteja matriculado;
·grau de escolaridade;
·curso, obrigatório para estudantes de curso técnico, graduação e pós-graduação;
·data de nascimento do estudante;
·documento de identidade (RG, CNH, RNE ou passaporte);
·cadastro de pessoa física do Ministério da Fazenda (CPF), obrigatório para estudantes de graduação, especialização, mestrado ou doutorado;
·código de uso
·data de validade até março do ano subsequente ao da expedição da CIE, no verso do cartão.
·Na hipótese de estudante travesti e transexual, apenas o nome social será impresso na CIE, acompanhado da seguinte declaração em local visível: “documento impresso com nome social”. Neste caso, o nome civil do estudante poderá ser consultado na versão digital da CIE, conforme orientações abaixo.
·Na face de identificação do documento constará uma fotografia recente do estudante, na proporção 3×4.
Código de uso : é o número de registro do estudante contendo uma sequência alfanumérica única em todo o território nacional para cada CIE emitida, de até 8 (oito) caracteres.
A obrigatoriedade do QR Code
Não serão aceitos boletos bancários, declaração de matrícula e carteirinhas fora do padrão acima.
*A comprovação da meia entrada deverá ser apresentada no ato da compra e no dia do evento.
Ingressos Meia-Entrada disponibilizados para o evento:
PLATEIA I – 173 ingressos
PLATEIA II – 254 ingressos
PLATEIA SUPERIOR – 200 ingressos
Ponto de Venda Sem Taxa de Conveniência: Bilheteria Saguão Superior (entrada pela Av. Afonso Pena)
Endereço: Av. Afonso Pena, 1537 B.: Centro – BH / MG.
Horário de Funcionamento:
Segunda a sábado: 10h às 21h
Domingo e feriado: 14h às 20h
Para mais informações, você pode conversar conosco através do Chat online, ele está disponível aqui mesmo na home do nosso site. Este atendimento é rápido e prático.
https://www.agendabh.com.br/boca-de-ouro-de-nelson-rodrigues-com-malvino-salvador/
Sábado às 21h00, Domingo às 19h00
17 a 18 de Março
Palacio das Artes
Av Afonso Pena, 1537
Belo Horizonte-Minas Gerais

Boca De Ouro

Foto: João Caldas
Um lendário bicheiro carioca, figura temida e megalomaníaca, que carrega o nome de Boca de Ouro, é assassinado e tem o seu passado vasculhado por um repórter. A fonte da investigação é dona Guigui, ex-amante do contraventor, mulher que, ao longo da peça, revela diferentes e contraditórias versões do bicheiro.
Este é o mote da tragédia carioca “Boca de Ouro”, de Nelson Rodrigues, escrita em 1959, cujo papel-título é vivido por Malvino Salvador, na montagem de Gabriel Villela, e que chega a Belo Horizonte para apresentações nos dias 17 e 18 de março, no Grande Teatro do Palácio das Artes.
Estão ainda no elenco Mel Lisboa e Claudio Fontana, Lavínia Pannunzio, Leonardo Ventura e Chico Carvalho, além de Cacá Toledo e Guilherme Bueno, Jonatan Harold e Mariana Elisabetsky, interpretando as 14 canções do espetáculo.

Data: 17 e 18/03/2018
Horário: sáb às 21h, dom às 19h
Local: Grande Teatro do Palácio das Artes - Av. Afonso Pena, 1537 B.: Centro - BH - MG
Classificação: 14 anos
Contato: 31 3236-7400
Ingressos
Plateias I e II: R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia entrada)
Plateia III: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia entrada)

Malvino Salvador chega a BH com peça de Nelson Rodrigues

 por Da redação com assessorias  06/03/2018 13:38
João Caldas F/Divulgação
(foto: João Caldas F/Divulgação)
O ator amazonense Malvino Salvador, famoso por integrar o elenco de diversas novelas da TV Globo, chega a BH com o espetáculo Boca de Ouro.

A peça é baseada na obra do jornalista e dramaturgo carioca Nelson Rodrigues e narra a história do assassinato de um bicheiro no Rio de Janeiro.

Onde
: Palácio das Artes
Endereço
: av. Afonso Pena 1537, Centro, Belo Horizonte
Data
: 17 e 18/3
Horário
: sábado às 21h; domingo às 19h
Ingressos
: plateias 1 e 2 - R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia); plateia 3 - R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)
Informações
: (31) 3236-7400   
https://www.revistaencontro.com.br/canal/encontro-indica/2018/03/malvino-salvador-chega-a-bh-com-peca-de-nelson-rodrigues.html

Boca de Ouro

Divulgação
Data: de 17.03.2018 até 18.03.2018
Nos dias 17 e 18 de março o palco do Grande Teatro do Palácio das Artes recebe um super elenco para o espetáculo Boca de Ouro, com direção de Gabriel Villela e texto de Nelson Rodrigues.
Boca de Ouro (Malvino Salvador) é um lendário bicheiro carioca, figura temida e megalomaníaca, que tem esse apelido porque trocou todos os dentes por uma dentadura de ouro. Quando Boca é assassinado, seu passado é vasculhado pelo repórter Caveirinha (Chico Carvalho), que vai até a casa da ex-amante Guigui (Lavínia Pannunzio). Lá, ouve a versão da ex-amante, que desanca o bicheiro. Ao saber de seu assassinato, Guigui se arrepende e exalta Boca como uma figura amorosa. Já no terceiro ato, Guigui volta a desancar o bicheiro, pois teme ser abandonada pelo marido Agenor (Leonardo Ventura). Nas três versões relatadas, surge o casal Celeste (Mel Lisboa) e Leleco (Claudio Fontana), que tem relação direta com o assassinato de Boca de Ouro.
Informações Adicionais:
Horário | sábado às 21h e domingo às 19h.
Classificação 14 anos
Telefone: 31 3236-7400
http://www.belohorizonte.mg.gov.br/evento/2018/03/boca-de-ouro

domingo, 11 de março de 2018

EM CARTAZ - HOJE É DIA DE ROCK


Sinopse:
GABRIEL VILLELA assina direção, cenário e figurinos da montagem que abre as comemorações pelos 50 anos do Teatro Ipanema, mesmo teatro que abrigou a montagem histórica desta peça, com direção de Rubens Corrêa, em 1971. Estreia 02 de março no Teatro Ipanema.
 
A peça-biografia de José Vicente conta a saga de uma família que sai do sertão de Minas e tenta sobreviver numa capital movida a consumo. O patriarca é Pedro Fogueteiro, músico sonhador que procura descobrir uma clave musical jamais inventada. A mãe, Adélia, vê na fuga para a cidade grande a única chance de uma vida melhor para seus cinco filhos. Lá, porém, a prole se deslumbra com o jeito americanizado de se vestir, comportar e consumir. 
 http://www.rionoteatro.com.br/hoje-e-dia-de-rock
Depois de bem sucedidas temporadas em Curitiba e São Paulo, é a vez do Rio, mais precisamente do Teatro Ipanema, receber a versão de Gabriel Villela para "Hoje É Dia de Rock", peça emblemática de José Vicente (1945-2007) que entrou para a história do teatro carioca pelas mãos de Rubens Corrêa (1931-1996), diretor da antológica montagem de 1971, cuja temporada durou um ano lotando a sala e se encerrou nas areias da praia de Ipanema, tamanho o volume de público que tentava entrar na última sessão.
 
No elenco atual, estão 13 atores oriundos do TCP – Teatro de Comédia do Paraná. Ao lado de Rosana Stavis, que interpreta a matriarca Adélia, e de Rodrigo Ferrarini, que dá vida ao músico sonhador Pedro Fogueteiro, destacam-se talentos selecionados em testes comandados por Villela: Arthur Faustino, Cesar Mathew, Evandro Santiago, Flávia Imirene, Helena Tezza, Kauê Persona, Luana Godin, Matheus Gonzáles, Nathan Milléo Gualda, Paulo Marques e Pedro Inoue, acompanhados por Marco França, ator e músico especialmente convidado para a montagem.
 
O Teatro de Comédia do Paraná TCP foi criado em 1963 com a finalidade de orientar e coordenar as atividades teatrais do Teatro Guaíra. O primeiro diretor a trabalhar no TCP foi Cláudio Corrêa e Castro.
 
Ao olhar para as últimas montagens de Villela – Peer Gynt (2016), Rainhas de Orinoco (2016), A Tempestade (2015) e a mais recente Boca de Ouro –, é na peça de Vicente que o diretor reserva mais de seu saudosismo: "A estreia carioca no Teatro Ipanema foi num período turbulento no Brasil e de emancipação no mundo", diz o diretor, citando a ditadura brasileira, o Maio de 1968, com a greve geral na França, e o movimento hippie antibélico. "A peça trata da dissolução da identidade da família frente às transformações, muitas vezes trágicas."
 
O diretor, em texto publicado no programa do espetáculo, resume a força da obra: "Se assumir a poesia ainda é um ato de coragem, a maior transgressão desse texto é fazer um elogio à diferença. Da mesma forma que Erasmos de Rotterdam já tinha feito em 1509 no Elogio da Cultura, exaltar a diferença é se juntar ao coro da liberdade; Zé (Vicente) faz isso de maneira soberba. Aliás, ele é um dos corifeus da liberdade", comenta.
 
A ATUALIDADE DO TEXTO
"Os jovens precisam enxergar uma alternativa para a política e para essa onda moralista que tomou o Brasil. Estão bebendo o sangue e os hormônios deles, de canudinho", observa Gabriel Villela, que na juventude foi impactado pelo texto de Vicente.
 
A MONTAGEM
Entre cenário, figurinos e adereços, mais de 100 peças foram produzidas artesanalmente pelo atelier de criação de Gabriel Villela, transferido especialmente para as dependências do Teatro Guaíra, em Curitiba, onde ficou residente por mais de um mês para a criação e confecção das peças.
 
A trilha sonora vai de Milton Nascimento/Clube da Esquina a Beatles e Mercedes Sosa. 
 
AS MÚSICAS DA PEÇA
As Mocinhas da Cidade (Nhô Belarmino)
Bola de Meia, Bola de Gude (Milton Nascimento e Fernando Brant)
Caçador de Mim (Sergio Magrão & SÁ)
El Condor Pasa (Daniel A. Robles / Jorge Milchberg)
Encontros e Despedidas (Milton Nascimento, Fernando Brant)
Fé Cega, Faca Amolada (Milton Nascimento)
It's Now Or Never (Elvis Presley)
Let It Be (Lennon & McCartney)
Love Me Tender (Elvis Presley/Vera Matson)
O Trem Azul (Lô Borges; Ronaldo Bastos)
Panis Angelicus (César Franck)
Queremos Deus (Adaptação De Milton Nascimento e Túlio Mourão)
San Vicente (Milton Nascimento, Fernando Brant)
Trenzinho Caipira (Heitor Villa Lobos)
Tristeza do Jeca (Angelino de Oliveira)
Tutti Frutti (Little Richard)
Um Gosto de Sol (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)
 
GABRIEL VILLELA - diretor
Gabriel Villela estudou Direção Teatral na USP. É diretor, cenógrafo e figurinista. Iniciou sua carreira profissional em 1989 com VOCÊ VAI VER O QUE VOCÊ VAI VER, de Raymond Queneau, e O CONCÍLIO DO AMOR, de Oscar Panizza. Desde então, recebeu 3 Prêmios Molière, 3 Prêmios Sharp, 12 Prêmios Shell, 10 Troféus Mambembe, 6 Troféus APCA, da reconhecida Associação Paulista de Críticos de Arte, 5 Prêmios APETESP, da Associação de Produtores de Espetáculos Teatrais de São Paulo, 2 Prêmios PANAMCO e 1 Prêmio Zilka Salaberry.
 
Encenou Camus (CALÍGULA), Heiner Muller (RELAÇÕES PERIGOSAS), Calderón de La Barca (A VIDA É SONHO), Schiller (MARY STUART), William Shakespeare (MACBETH, RICARDO III e ROMEU E JULIETA), Strindberg (O SONHO), e os dramaturgos brasileiros Nélson Rodrigues (A FALECIDA e VESTIDO DE NOIVA), Arthur Azevedo (O MAMBEMBE), João Cabral de Melo Neto (MORTE E VIDA SEVERINA), Carlos Alberto Soffredini (VEM BUSCAR-ME QUE AINDA SOU TEU), Dib Carneiro Neto (SALMO 91 e UM RÉQUIEM PARA ANTONIO) e Luís Alberto de Abreu (A GUERRA SANTA) e Alcides Nogueira (VENTANIA, A PONTE E A ÁGUA DE PISCINA). Dirigiu uma trilogia de musicais de Chico Buarque para o TBC: Ópera do Malandro, Os Saltimbancos e Gota D'Àgua. Dirigiu shows de artistas como Elba Ramalho, Maria Bethânia, Milton Nascimento e Ivete Sangalo, musicais, óperas, dança e especiais para TV. Foi Diretor Artístico do Teatro Glória/RJ (1997/99) e também do TBC Teatro Brasileiro de Comédia/SP (2000/01).
 
Tornou-se um dos mais renomados diretores teatrais com reconhecimento internacional, sendo convidado a participar de Festivais nos EUA, Europa e América Latina. Com o Grupo Galpão (ROMEU E JULIETA), Gabriel Villela foi convidado para uma temporada no Globe Theatre, em Londres, conquistando a crítica e o exigente público londrino. O espetáculo voltou a Londres em 2012 para participar da OLIMPÍADA CULTURAL, evento paralelo aos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres.
 
Seus últimos trabalhos foram HOJE É DIA DE ROCK, de Zé Vicente e BOCA DE OURO, de Nelson Rodrigues (2017), RAINHAS DO ORINOCO, de Emilio Carballido, com Walderez de Barros e PEER GYNT, de Ibsen, com Mel Lisboa e Chico Carvalho, em 2016, A TEMPESTADE (2015) com Celso Frateschi, UM RÉQUIEM PARA ANTONIO (2014), com Elias Andreato e Claudio Fontana, OS GIGANTES DA MONTANHA (2013), de Pirandello, com o Grupo Galpão e MANIA DE EXPLICAÇÃO, com Luana Piovani. Em 2012, MACBETH, com Marcello Antony e Claudio Fontana.  Também dirigiu VESTIDO DE NOIVA, de Nelson Rodrigues, com Leandra Leal e Marcello Antony (2009), CALÍGULA, de Albert Camus, com Thiago Lacerda (2008/09/10) O SOLDADINHO E A BAILARINA (2010), com Luana Piovani, SUA INCELENÇA RICARDO III com o Grupo Clowns de Shakespeare. Dirigiu também em 2011 CRÔNICA DA CASA ASSASSINADA, com Xuxa Lopes, adaptação do livro de Lucio Cardoso, que lhe rendeu o Prêmio SHELL de Melhor Figurinista e indicação a Melhor Direção e HÉCUBA, de Eurípides, com Walderez de Barros.
 
JOSÉ VICENTE - autor
José Vicente (1945-2007) é um dos nomes icônicos da contracultura brasileira, infelizmente pouco estudado hoje. Ao lado de autores como Leilah Assumpção, Isabel Câmara e Antônio Bivar, cada um com sua proposta estética, eles desbravaram temas como religião e drogas, tudo com um enfoque existencial que desvelava o absurdo da vida naquele momento. Mas a rebeldia poética de Zé Vicente marcou a geração de 1970, sobretudo depois da montagem carioca de "Hoje é Dia de Rock", dirigida por Ivan Albuquerque e produzida pelo Teatro Ipanema. A peça foi o maior sucesso do grupo e ficou em cartaz por dois anos com lotação esgotada.
 
Mineiro, de Alpinópolis, abandonou cedo o curso de seminarista para estudar em Ribeirão Preto, depois em São Paulo. Em 1967, escreveu sua primeira peça, "Santidade", sobre um ex-seminarista que, vivendo em São Paulo às custas do amante, recebe a visita do irmão que está para ordenar-se padre. A convivência entre os três coloca a vocação do rapaz em xeque. A montagem foi censurada pelo marechal Costa e Silva em 1968, que declarou que aquele era "o exemplo de espetáculo que jamais seria encenado no país."
 
Por conta desse imbróglio, a estreia de José Vicente só pôde acontecer dois anos depois, com a montagem de "O Assalto", já pelo Teatro Ipanema, e com direção de Fauzi Arap. A peça teve sucesso imediato, projetando o nome de José Vicente na dramaturgia brasileira. O texto tratava da prostituição masculina. "Os Convalescentes", sua segunda peça, foi encenada em 1970 por Gilda Grillo, e propõe uma caótica discussão sobre o destino do intelectual latino-americano.
 
"Hoje é Dia de Rock" veio em 1971 pelo Teatro Ipanema. O espetáculo era uma verdadeira celebração coletiva que propunha um reino livre onde cada um poderia experimentar a própria existência na sua máxima intensidade. Na verdade, o texto é uma espécie de autobiografia lírica à maneira do realismo fantástico de Gabriel García Márquez e muitos dos seus familiares estão ali retratados. O Teatro Ipanema ainda encenaria outros textos do autor, como "Ensaio Selvagem", dirigido por Rubens Corrêa, em 1974 e "A Chave das Minas", novamente com direção de Ivan de Albuquerque, em 1977.
 
Em 1982 já estava publicando sua autobiografia "Os Reis da Terra" Só em 1997, Fauzi Arap retomou o antigo projeto de encenar "Santidade", que aliás teve ótima repercussão da crítica, o que colocou o nome de José Vicente de novo em evidência. Nessa época, no entanto, ele declarou-se um "Recolhido do teatro e da vida social".
 
TEATRO DE COMÉDIA DO PARANÁ
O Teatro de Comédia do Paraná TCP foi criado em 1963 com a finalidade de orientar e coordenar as atividades teatrais do Teatro Guaíra. O primeiro diretor a trabalhar no TCP foi Cláudio Corrêa e Castro, que montou "Um Elefante no Caos" de Millôr Fernandes. No elenco, Paulo Goulart, Nicette Bruno, Lala Schneider, Sale Wolokita, Manoel Kobachuk e José Maria Santos entre outros. Em 1964, Cláudio Corrêa e Castro voltou aos palcos com "A Megera Domada", de William Shakespeare, com tradução de Millôr Fernandes. Foi a primeira montagem do texto no Brasil. O diretor de teatro inglês, Norman Marshall, veio a Curitiba para assistir a apresentação. A peça lotou todas as sessões e ficou em cartaz durante um mês. Foi considerada a maior realização profissional do teatro paranaense.
 
Por onze anos consecutivos o TCP esteve sob as luzes da ribalta. Produziu "Escola de Mulheres", (1965) de Molière, direção de José Renato, "As Colunas da Sociedade" (1966), de Henrik Ibsen, atriz convidada Miriam Pires, além de 22 atores locais. "Schweyk na II Guerra Mundial" de Bertolt Brecht (1967), "Tio Vânia" de Anton Tchecov (1968), todas com direção de Cláudio Corrêa e Castro. "O Livro de Cristovão Colombo", de Paul Claudel, direção Ivan Albuquerque. "A Ameaça que Veio com a Chuva", de Myriam San, direção José Maria Santos. "A Ratoeira", de Agatha Christie (1970), direção Maurício Távora.
 
Em 1974 o TCP inaugurou o Auditório Bento Munhoz da Rocha Netto com a peça "Paraná, Terra de Todas as Gentes", de Adherbal Fortes, sob a direção de Maurício Távora. Em 1977 foi montado "Linha de Montagem" de Franz Xaver Kroetz, direção Frederico Wolf, "Pano de Boca" de Fauzi Arap, direção de Antônio Carlos Kraide (1978), "O Contestado", de Romário Borelli, com a direção de Emílio Di Biasi (1979).
 
Em 1983, inicia se o projeto de Co-Produção, elaborado pela Classe Teatral, Secretaria da Cultura e Fundação Teatro Guaíra. Nesse ano foi produzida a montagem "A Moda de Viola e Bala", de Enéas Lour, direção Fátima Ortiz. Em 1984 são produzidas as peças "Zumbi", de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, com direção de Oraci Gemba, "Colônia Cecília" de Renata Pallottini, com direção de Ademar Guerra, "Fantástico Mundo da Imaginação", de Marilu Alvarez e Alberto Soares, direção JOSÉ VICENTE, ícone da contraculturaLuthero Almeida, "Vamos Transar" de Rote Grutze, direção Volker Quandt, "A Batalha do Pirralo" texto e direção Yara Silveira", "A Cegonha Boa de Bico" de Marilu Alvarez, direção Hugo Mengarelli.
 
Destacaram-se as coproduções "Assim que Passem Cinco Anos" de García Lorca, direção Fátima Ortiz, "Alegro Desbum" de Oduvaldo Vianna Filho, direção Marcelo Marchioro (1985), "A Sedução", de Edson Bueno, direção de Lala Schneider, "A História de Muitos Amores", de Domingos de Oliveira, direção Fátima Ortiz (1986), "A Nuvem Apaixonada", texto e direção de Euclides de Souza, "O Menino Maluquinho" de Ziraldo, direção de Fátima Ortiz (1987). Em 1989, retomaram-se as montagens do TCP. É desta fase "A Vida de Galileu", de Bertolt Brecht, com Paulo Autran e 21 atores paranaenses, com direção de Celso Nunes. Envolveu um grupo de 60 profissionais em sua equipe artística e técnica. Os cenários foram assinados por Gianni Ratto e os figurinos por Kalma Murtinho. "Otelo" de William Shakespeare, direção Fátima Ortiz e "Noite na Taverna" de Álvares de Azevedo direção de Ademar Guerra.
 
Foram montados também em 1990, "New York por Will Eisner", baseado nas histórias em quadrinhos The Spirit, Contract with God e New York the Big City, de Will Eisner com adaptação e direção de Edson Bueno, "Mistérios de Curitiba" de Dalton Trevisan com direção de Ademar Guerra, "As Bruxas de Salém" de Arthur Miller, com tradução, direção e sonoplastia de Marcelo Marchioro, "O Guerrilheiro da Inconfidência", de Roberto W. de Almeida, direção de Luthero Almeida, "Perfídia" de Aziz Bajur, direção Cleon Jacques (1991).
 
Em 1992, "O Carrasco do Sol" de Peter Shaffer, direção de Oraci Gemba, "Paixão e Morte segundo Nelson Rodrigues", "A Falecida" e "O Beijo no Asfalto", direção de Edson Bueno, "Tiradentes, O Herói da Liberdade", de Benjamim Santos, direção Luthero Almeida, "Antígona, O Calvário da Princesa Alucinada", Gilson Moura, direção Edson Bueno, "O Olho Azul da Falecida", de Joe Orton, direção Roberto Menguini.
 
Em 1993, "Via Crucis", texto e direção de Oraci Gemba, "Paisagem de Meninos", impressões teatrais do livro "Curitiba, de Nós", de Poty Lazzarotto e Valêncio Xavier, adaptação e direção de Edson Bueno, "Flô, em Palácio dos Urubus" de Ricardo Meirelles, direção Lala Schneider, "A Outra", texto e direção Raul Cruz, "Eduardo II", texto e direção Cesar Almeida.
 
Em 1994, "A Ópera dos Três Vinténs", de Bertolt Brecht, direção de Marcelo Marchioro, "O Cerco da Lapa", texto e direção Oraci Gemba. "O Incrível Retorno do Cavaleiro Solitário", com texto e direção de Hugo Mengarelli.
 
Em 1995 foi encenada "Barca de Veneza Per Padova" de Adriano Banchieri, direção cênica Laércio Ruffa e direção musical Flávio Stein, "Lulu, uma Dupla Tragédia" (1996), de Franz Wedekind e direção de Marcelo Marchioro, "A Aurora da Minha Vida" (1997), de Naum Alves de Souza e direção de Gabriel Villela.
 
Em 2000, "Os Incendiários", de Max Frisch, direção de Felipe Hirsch. Em 2004, "Medeamaterial", de Heiner Müller, direção Mariana Percovich, "Pico na Veia" de Dalton Trevisan, direção Marcelo Marchioro (2005), "Memória" adaptação e direção Moacir Chaves (2006). Em 2016, "O Homem Desconfortável", texto Edson Bueno, direção Alexandre Reinecke.
 
Ficha Técnica:
Texto | JOSÉ VICENTE 
Direção, Cenografia e Figurinos | GABRIEL VILLELA
Elenco | Rosana Stavis, Arthur Faustino, Cesar Mathew, Evandro Santiago, Flávia Imirene, Helena Tezza, Kauê Persona, Luana Godin, Matheus Gonzáles, Nathan Milléo Gualda, Paulo Henrique dos Santos, Pedro Inoue, Rodrigo Ferrarini
Diretor Assistente | IVAN ANDRADE 
Direção Musical, Arranjos e Preparação Vocal | MARCO FRANÇA
Aderecista e Assistente de Figurinos | JOSÉ ROSA 
Iluminação | WAGNER CORRÊA 
Fotografia Vitor Dias 
Projeto Gráfico | JOSÉ VITOR CIT 
Arranjo de Trenzinho Caipira/Desenredo | Ernani Maletta 
Produção | Áldice Lopes, Daniel Militão e Diego Bertazzo
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação - Joao Pontes e Stella Stephany

Dias, horários e valores: 
Segunda às 20:30 - R$ 50,00 (Valor inteira) 
Sexta às 20:30 - R$ 50,00 (Valor inteira) 
Sábado às 20:30 - R$ 50,00 (Valor inteira) 
Domingo às 20:30 - R$ 50,00 (Valor inteira)

Duração: 80 minutos

Temporada: 
De 02/03/2018 Até 19/03/2018

Contato: 
(21) 2523-9794

Classificação: 
14 anos

Generos: 
Drama / Musical