quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

ARTES CÊNICAS O jeito coletivo de fazer teatro Grupos mais jovens miram o Galpão como exemplo de organização e perseverança na trajetória teatral Enviar por e-mail Imprimir Aumentar letra Diminur letra Fonte NormalMais Notícias B-XAMI Compartilhada. “É Só uma Formalidade”, onde o grupo já praticava a direção coletiva A-G Própria. Grupo também investe em sua própria dramaturgia. Foto de “O Outro Lado” ‹› FOTO: juliana hilal/divulgaçãoFOTO: LZ C FRANK PUBLICADO EM 18/02/14 - 03h00 GUSTAVO ROCHA É comum na história do homem e das artes o mais velho ser superado pelo mais novo. Às vezes isso é feito de maneira abrupta, radical, iconoclasta. Mas esse processo não precisa ser de ruptura e sim de influência. A experiência do grupo mais longevo da cidade, o Galpão, serve de exemplo para companhias que surgiram (e que ainda surgirão) ao longo do tempo. VEJA TAMBÉM video Os arquivos vivos do teatro Mais Não à toa, ele foi escolhido para abrir a série “Ensaio Aberto – O Teatro de Grupo no Brasil”, que mostra coletivos longevos ao longo do país. “O Galpão é o grupo que deu certo!”, destaca Marcos Coletta, integrante do Grupo Quatroloscinco Teatro do Comum. O ator revela que a prática de pensar o teatro e se organizar de maneira coletiva é a principal referência dos mineiros. “Acredito que o Galpão influencie o cenário teatral da cidade e seja um exemplo, porque eles defenderam, ao longo de sua história, o teatro feito em grupo e perseveraram”. Esteticamente, no entanto, o ator crê que a influência do Galpão não é tão sentida pelas trupes mais novas. “Acho que cada coletivo vai buscar seu caminho, a sua linguagem. Ao longo do tempo, cada um vai criar sua própria identidade”, afirma ele. Prova real disso é o fato de sua companhia não trabalhar com um diretor, mas com uma direção compartilhada. O Quatroloscinco se prepara para estrear “Humor”, no próximo mês, na Funarte. E pela primeira vez, o grupo tem um olhar externo. “O Rodrigo (Campos) faz uma orientação, ele é um provocador que assiste ao nosso ensaio uma vez por semana. Ele vem, passa umas tarefas, a gente mostra o que tem. Mas não é uma direção. A gente discorda e acata ou não as indicações dele”, afirma. Apesar das diferenças entre o “novo” e o “velho”, ele vê como bons olhos a alternância de direção existente no Galpão, “Eles são um grupo de atores. Então, mesmo que alguém se aventure na direção, é algo passageiro. Creio que o vigor do trabalho deles venha desse encontro com artistas com estéticas tão diferentes”, destaca. Coletta há quase três anos trabalha como assistente de coordenação do Centro de Pesquisa e Memória do Teatro (CPTM), que guarda o acervo das produções do Galpão e também das atividades ocorridas no Galpão Cine Horto. Pessimista. Eduardo Moreira, integrante do Galpão, não mostra tanto otimismo em relação ao legado deixado por seu grupo: “Temos influência, sim, mas acho que ninguém vai lembrar da gente daqui 200 anos”. Prestes a voltar a apresentar, “Tio Vânia”, dentro da Campanha de Popularização, Moreira, no entanto, confessa estar muito influenciado por (o pessimismo) Tchekhóv e a angústia do artista e do humano em ser passageiro nesse mundo. “Enquanto estamos aqui, continuaremos nosso trabalho. As pessoas nos conhecem, mas o destino de todos nós é a morte. O Tchekhóv diria, ‘nosso destino é o pó’”.http://www.otempo.com.br/divers%C3%A3o/magazine/o-jeito-coletivo-de-fazer-teatro-1.790504

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